Crise faz Petrobras segurar gastos e reavaliar projetos
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, confirmou que a Petrobras está colocando o pé no freio nos gastos em projetos e nos custos em geral diante do cenário afetado pela crise financeira. Concretamente, porém, nenhum cancelamento foi anunciado ou informado.
Nesta terça-feira, o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, enviou comunicado aos funcionários sobre a necessidade de cortes de custos --ele menciona viagens e festas, por exemplo. Segundo Costa, a empresa iniciou um "processo contínuo e permanente de otimização" na execução das atividades.
"Dentro do contexto da crise, o presidente colocou que todos nós, funcionários, temos que participar de um processo de otimização dos projetos, dos custos, na melhor maneira de realizar nossa atividade. Isso vai se refletir em um benefício mais adequado para a companhia poder enfrentar esses problemas externos. Dentro de um mundo globalizado, a gente não fica alheio ao que está acontecendo", afirmou, evitando falar em possíveis cortes ou suspensão de contratações.
| Bruno Domingos/Reuters |
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Costa frisou que o objetivo é promover uma melhoria em todos os custos operacionais da companhia. Isso passará pela avaliação de projetos e investimentos. Segundo ele, a estatal está buscando reduzir ao máximo os custos dos investimentos que estão sendo feitos.
"O objetivo é ter preços mais compatíveis com a situação atual. Em termos de mundo, de um modo geral, isso já está acontecendo com algumas outras commodities, como minério de ferro e aço, e em projetos que estão deixando de ser executados. Isso deve se refletir no mercado interno, nas companhias que nos fornecem, com uma reavaliação geral de preços, para tornar os projetos viáveis e competitivos em nível internacional", explicou.
No mês passado, reportagem da Folha apontou que o agravamento da crise no mercado financeiro afetará o plano de investimento da Petrobras, que deve sofrer um alongamento no seu período de implementação.
Previsto inicialmente para ser implementado entre 2009 e 2013, Gabrielli sugeriu que sua data final pode ficar mais próxima de 2020 do que de 2013, diante da crise financeira. O atual plano vai de 2008 a 2012 e prevê investimentos totais de R$ 112 bilhões, basicamente com recursos próprios.
Vale
Na última sexta-feira, a mineradora Vale informou que iria reduzir sua produção de minério de ferro e outros minérios e subprodutos devido à desaceleração da economia global. A medida afeta atividades da empresa localizadas nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Amapá, além de plantas industriais e minas em quatro países --França, Noruega, China e Indonésia.
O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse acreditar que a redução é momentânea e que a crise financeira é de intensidade muito forte, mas com fôlego curto. Para o executivo, os primeiros sinais de recuperação da economia global poderão ser notados no segundo trimestre de 2009.
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