Banco Mundial reafirma que crise fará 20 milhões de novos pobres
da Efe, em Lima
Pelo menos 20 milhões de novos pobres surgirão no mundo em conseqüência da crise financeira internacional, reiterou hoje em Lima o diretor-executivo do BM (Banco Mundial), o salvadorenho Juan José Daboub.
"Devido ao que acontece com o tema de alimentos, combustível e a situação financeira espera-se que o crescimento em nível global se reduza entre 1% e 2% e, a cada ponto percentual que se reduz o crescimento econômico, são 20 milhões de novos pobres que aparecem", disse Daboub.
Após se reunir com o presidente peruano, Alan García, para abordar a crise financeira, o executivo do BM acrescentou em entrevista coletiva que é "muito importante ter a mão firme no governo" para enfrentar esta crise, que afetará em maior ou menor medida todos os países do planeta.
Daboub também ratificou que o BM prevê que a região crescerá 6,5% no próximo ano e afirmou que o Peru está preparado para enfrentar a crise e ao mesmo tempo atrair investimentos nacionais e estrangeiros para que gerem empregos e reduzam a pobreza.
Ele explicou que atualmente a ajuda do BM ao Peru tem "componentes vinculados ao investimento na área social e a criação de instrumentos preventivos perante a situação econômica mundial".
Nessa mesma entrevista coletiva, o ministro peruano de Economia, Luis Valdivieso, assinalou que a política do Executivo é "manter o crescimento econômico alto e a inflação baixa", assim como "continuar o projeto de reduzir a pobreza para chegar aos objetivos estabelecidos para 2011".
O Peru registra crescimento econômico sustentado desde 2001, que no ano passado foi de quase 9%, mas a inflação acumulada até outubro subiu para 5,94%, quase o dobro da meta estabelecida pelo governo para 2008, enquanto a pobreza segue afetando quase 40% da população.
Por outro lado, Daboub destacou que a próxima cúpula do Fórum de Cooperação Econômica do Ásia Pacífico (Apec), que será realizada em Lima em novembro, servirá para "dialogar e (possivelmente) encontrar um acordo de como conduzir a situação econômica mundial e de como cooperar juntos" no contexto da crise.
"Esperamos que (os líderes de Apec, entre eles os presidentes de EUA, Rússia, China e Japão) cheguem a acordos que facilitem os países que possam estar em uma posição mais frágil a passar adiante', afirmou o diretor-executivo do BM.
Daboub está no Peru em visita oficial que também o levará à cidade nortista de Trujillo para participar, amanhã e depois, de uma reunião dos ministros de finanças do Apec, bloco que representa quase a metade do comércio mundial e cerca de 60% do PIB (Produto Interno Bruto) do planeta.
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