Lula anuncia grupo de trabalho para agilizar execução de medidas anticrise
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a descartar nesta quinta-feira a idéia de lançar um pacote de medidas econômicas para conter os efeitos da crise financeira internacional. O presidente, porém, anunciou a criação de um grupo de trabalho destinado a agilizar a execução das medidas definidas pelo governo.
Ao reclamar da demora na implementação das definições governamentais, Lula admitiu que a burocracia do sistema político e econômico não é destinada para os momentos de crise, mas para situações "normais".
"[A idéia é] que a Fazenda visse qual é a possibilidade de reduzir o máximo possível o tempo entre a decisão [do governo] e o dinheiro chegar na ponta. A verdade é que não há culpa de ninguém", afirmou Lula.
"A máquina estava preparada para funcionar em um processo de normalidade, mas, como estamos em um momento de anormalidade, precisamos colocar um pouco mais de óleo nessa máquina para que ela possa fluir com um pouco mais de rapidez", disse o presidente.
Segundo Lula, o objetivo é criar um grupo de trabalho que busque soluções que promovam a execução com agilidade as decisões já anunciadas pelo governo.
"Para ver entre a decisão chegar na Caixa, no Banco do Brasil, no BNDES, no Banco Central e no Tesouro e ela ser executada, se a gente pode diminuir o prazo, porque, nesse momento de pouca liquidez, o prazo tem uma importância fundamental", disse o presidente.
Lula anunciou a criação do grupo de trabalho olhando na direção do ministro Guido Mantega (Fazenda) durante a reunião do Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social), no Palácio do Planalto.
Também participaram da reunião os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), além do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, empresários e parlamentares.
O presidente afastou ainda as eventuais ameaças à economia nacional, informando as decisões definidas pela equipe econômica ainda não foram implementadas por completo. Lula apelou para que as pessoas não tenham medo. Em tom de piada, lembrou que o medo pode limitar até o uso de uma peça íntima do vestuário feminino.
"Por causa do medo as pessoas não queriam utilizar seu primeiro sutiã", brincou o presidente, referindo-se a um comercial de TV que contava a história da peça íntima e o uso dela por uma adolescente. "Se a gente permitir que o medo tome conta da sociedade, aí vai acontecer o que vocês têm medo de verdade. Aí as empresas vão demitir mesmo."
Segundo o presidente, é necessário ter paciência e competência para administrar a crise e seus efeitos. "Não sou chinês, mas tenho muita paciência, em momentos de crise é que o governo tem de demonstrar sua competência", afirmou.
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