Lula diz que Obama deve enfrentar a crise e nega que Brasil vá quebrar
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que está confiante na possibilidade de o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrentar a crise financeira internacional. Lula afirmou que Obama terá de tomar decisões rápidas para evitar que os efeitos da crise permaneçam. O norte-americano será empossado no cargo em janeiro.
"Espero que o Obama, que acabou de ganhar a eleição com uma força política inédita, não vá gastar um ano sem resolver imediatamente a crise. Agora a crise pode ser debitada no atual governo, mas um ano depois que ele tomar posse é dele também. Acho que ele é suficientemente inteligente para tomar as medidas para evitar que a crise continue", disse Lula.
Para Lula, o pior da crise já passou. "O fato importante é que no auge da crise ela chegou aqui muito leve. No mês passado todo mundo sabe que o nível de emprego cresceu", afirmou o presidente.
Segundo o presidente, os que apostam que os efeitos da crise levarão à quebra do Brasil, irão se frustrar. "O Brasil não quebrou e não vai quebrar", afirmou ele. "Estou sendo acusado do meu excesso de otimismo. Se o presidente não for otimista quem será? É como um pai na família", disse.
Reclamações
Lula cobrou dos bancos a concessão de mais linhas de crédito para os consumidores. Segundo ele, não há razões para não autorizar os empréstimos. "Não tem muita explicação a falta de crédito que estamos vendo aqui. Primeiro, temos crédito. A falta de crédito é maior do que deveria ser", afirmou o presidente.
O presidente afirmou que o "sistema financeiro sem dinheiro não funciona" nem no socialismo nem no capitalismo. Sem apontar nomes de instituições nem situações específicas, o presidente apelou, em duas ocasiões diferentes, para que os bancos revejam a posição atual de contenção de créditos.
O presidente fez seus comentários durante a reunião do Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social), no Palácio do Planalto, na qual participaram os ministros Guido Mantega (Fazenda), Dilma Rousseff (Casa Civil) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), além do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, empresários e parlamentares.
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