União Européia discute reforma do sistema financeiro
da France Presse
da Folha Online
Os líderes da União Européia (UE) se reúnem nesta sexta-feira em Bruxelas (Bélgica) para preparar as bases de uma reforma do sistema financeiro mundial, com um plano de ação concreto e a esperança de que a chegada do democrata Barack Obama à presidência dos EUA os ajude em sua missão.
Convocado pelo presidente francês e presidente em exercício da UE, Nicolas Sarkozy, o encontro informal tem como objetivo preparar a cúpula do G20 de países industrializados e economias emergentes marcada para 15 de novembro em Washington.
As discussões serão apoiadas em um documento da presidência francesa que estabelece os grandes eixos da posição da UE, como uma maior regulação e uma maior transparência dos mercados, assim como um papel preponderante do FMI (Fundo Monetário Internacional) nessa nova arquitetura.
A ministra francesa das Finanças, Christina Lagarde, afirmou que países emergentes como o Brasil devem ter um um papel mais importante nas discussões sobre a reforma do sistema financeiro mundial. "Sofremos todos os mesmos efeitos da crise e todos devem participar da nova arquitetura financeira internacional", disse. "Não há de um lado os países desenvolvidos e, de outro, os emergentes. É preciso que haja unidade."
Lagarde viaja a São Paulo na noite desta sexta-feira para participar da reunião do G20, que acontece neste fim de semana.
No mês passado, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou desejar que a UE (União Européia) assuma um papel de liderança para reformar o sistema financeiro internacional, função que exige mais transparência, novas regras de funcionamento e melhores mecanismos de supervisão.
"Precisamos de uma nova Bretton Woods", destacou Brown ao se referir à cidade americana onde, em 1944, foram criados o FMI e o Banco Mundial. Ele também se referiu a um acordo para avançar na liberalização do comércio mundial. Na atual conjuntura, um acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio) seria "um bom sinal", disse.
Já o presidente da Comissão Européia, órgão executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, disse que a Europa está liderando a resposta mundial à desordem financeira, mas disse que é preciso vontade de cooperar com outros governos, especialmente com os Estados Unidos, para definir os próximos passos.
Lagarde afirmou que o Fundo deve ser dotado de meios técnicos para efetuar uma coordenação mais rápida e ter maior eficácia. "As normas acabam sendo ultrapassadas por práticas novas que surgem. É preciso ter um mecanismo que reexamine estas regras regularmente. O FMI pode ter um papel importante nessa questão", disse.
Para ela, o Brasil e outros países emergentes deveriam ter maior voz no FMI e em outras instâncias internacionais, mas que, para isso, esses países devem aumentar suas contribuições ao Fundo. "Não é possível ter maior participação sem aumentar os recursos. Se você não colocar mais dinheiro no caixa, é difícil querer ser aquele que toma decisões."
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