Equador diz que relações com Brasil são boas apesar do caso Odebrecht
da Folha Online
da Efe, em Quito
A ministra de Relações Exteriores equatoriana, María Isabel Salvador, reiterou nesta sexta-feira que a relação com o governo brasileiro não foi afetada pela decisão de expulsar do país a construtora Odebrecht, por problemas na construção da central hidroelétrica San Francisco.
"Eu não acho que a relação bilateral entre Brasil e Equador tenha visto realmente afetada", disse a chanceler em entrevista a uma emissora de rádio. Segundo ela, "é falso" que se tenham interrompido convênios ou projetos de investimento brasileiros em seu país.
A titular da diplomacia equatoriana assegurou que ao redor do tema Odebrecht houve uma "agitação midiática", que não se repetiu para informar sobre o acordo assinado na semana passada entre o governo de Rafael Correa e a Petrobras no processo de mudança de modalidade de contrato.
O acordo de transição da Petrobras com o governo do Equador estabelece que a companhia brasileira ficará por ao menos mais um ano no país enquanto negocia marco legal definitivo. Durante este período, vai pagar mais impostos.
"As relações com o Brasil seguem adiante, temos muito boas relações, não somente no âmbito bilateral, no âmbito regional e no multilateral estamos avançando paralelamente e de acordo com o Brasil e trabalhando juntos", apontou.
O governo equatoriano está empenhado na mudança de contratos com as petrolíferas estrangeiras para substituir os acordos de participação por outros de prestação de serviços.
Ontem, o governo informou chegou a um acordo que evitará a saída da petrolífera hispano-argentina Repsol-YPF do país, nos moldes do firmado com a Petrobras.
O presidente do Equador, Rafael Correa, assinou um decreto retirando o visto de funcionários da construtora Odebrecht e, na prática, expulsando-os do país.
No mesmo decreto, Correa revogou ainda os vistos de cinco funcionários da também brasileira Companhia Furnas Centrais Elétricas.
A Furnas estava encarregada de fiscalizar a reparação da central hidrelétrica San Francisco construída pela Odebrecht, que, segundo o governo equatoriano, apresentou falhas em sua estrutura poucos meses depois de ser entregue.
O governo brasileiro chegou a adiar uma missão ao país vizinho que estava agendada para o mês passado, em reação à decisão do Equador de expulsar a Odebrecht. Na ocasião, a ministra equatoriana María Isabel Salvador chegou a admitir abalos na relação com o Brasil.
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