Emergentes defendem que países ricos elevem regras financeiras, diz Mantega
da Folha Online
O ministro da fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que os países emergentes, em especial os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), defendem que os países ricos (Estados Unidos e Europa) elevem a regulamentação de seus sistemas financeiros, causa central da crise que se alastrou pela economia mundial.
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"Nós, os países emergentes, os Brics, o G4, achamos que é preciso fazer uma reformulação do sistema financeiro mundial, que foi criado em Bretton Woods. Faltam regras mais sólidas apara impedir os abusos cometidos pelo setor financeiro, os 'hedge funds' e clubes de investimento, que não estavam sendo controlados. É preciso aumentar a regulamentação. É preciso que haja mais transparência, para que se saiba se eles estão ganhando, perdendo, se seus ativos são sadios ou não. Havia muitos ativos tóxicos que eram considerados bons", disse Mantega.
| Joel Silva/Folha Imagem |
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Mantega destacou a necessidade de países avançados tomarem medidas adicionais para restabelecer o crédito e confiança no sistema internacional.
"As medidas até agora são corretas, porém, não são suficientes para assegurar o crescimento do crédito e da confiança para que as economias possam funcionar com o mínimo de liquidez", afirmou. "A crise eclodiu nos países avançados e causou problemas a eles. Foi ganhando magnitude e intensidade e atingiu os países emergentes dinâmicos, mais sólidos."
Mantega destacou que o receio do Brasil e países emergentes é que esses problemas atinjam a atividade econômica. "Se persistir a falta de crédito, os juros elevados, nós teremos uma retração das atividades econômicas em escala mundial", disse.
O ministro mencionou as projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional), que reduziu nesta quinta-feira suas previsões de crescimento mundial para 2008 e 2009. Segundo a instituição, o crescimento em 2008 será de 3,7%, ante previsão anterior de 3,9%. Já para 2009 a alta deve ser de 2,2%, contra 3% da previsão anterior.
"Me parece inevitável que haja recessão econômica nos EUA e países europeus e também no Japão. O importante é estancar esse processo e impedir que essa recessão seja muito profunda para atingir menos os países emergentes", disse o ministro.
Segundo ele, os países emergentes são afetados na redução do comércio internacional, na queda do fluxo de crédito e no retorno à origem de capital de investimentos, que antes eram fartos por conta das taxas de juros mais elevadas. Além disso, Mantega citou a retirada de dinheiro do país e dos mercados para que se cubras prejuízos lá fora.
"Também há a 'fuga para qualidade', fuga do risco que poderia estar nas aplicações de emergentes", explicou, destacando que é um movimento sempre visto em períodos de incertezas. Após a fala, Mantega, em tom mais descontraído, disse: "O risco maior estão nos avançados, na verdade, não aqui."
A entrevista coletiva abre os trabalhos da reunião do G20 financeiro, que ocorre neste fim de semana em São Paulo. Durante a sexta-feira, representantes do Brasil, Índia, China, África do Sul, México e Rússia --seis potências emergentes-- passaram o dia reunidos fechando posições para o encontro que começa oficialmente amanhã. Os cinco primeiros compõem o grupo conhecido como G5 e participam anualmente como convidados das reuniões do G8 (grupo das sete economias mais industrializadas do planeta mais a Rússia).
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