Mantega defende inclusão de emergentes em entidades internacionais
YGOR SALLES
da Folha Online
Os ministros da Fazenda dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), acrescidos de representantes do México e África do Sul, defenderam nesta sexta-feira uma ampla reformulação nas instituições que controlam o sistema financeiro mundial.
O ministro Guido Mantega disse acreditar que os países emergentes não têm o espaço que deveriam nestes organismos, entre eles o FMI (Fundo Monetário Internacional) e Banco Mundial.
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Em entrevista coletiva à imprensa, Mantega exigiu que as decisões sejam tomadas em âmbito mais ampliado do que no G7 (grupo dos sete países mais ricos). "Essas entidades não conseguiram detectar e estancar o problema", disse o ministro após as primeiras reuniões do G20 financeiro, que ocorrem até domingo.
| Joel Silva /Folha Imagem |
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| Mantega afirmou que não quer participar do G7 ou do G8 só para tomar cafezinho |
Segundo Mantega, a atual divisão de poderes nesses órgãos refletem a economia das décadas de 1940 e 1950, quando Estados Unidos e Europa detinham a grande maioria do poderio financeiro. "Respondemos hoje por 75% do crescimento mundial e, mesmo assim, estamos em minoria", criticou. "Queremos uma maior participação."
Ele garantiu que os emergentes estão dispostos a colocar mais recursos nessas instituições caso consigam essa maior participação. "Estamos preparados para as conseqüências financeiras."
Sobre o G7, o ministro disse ser insuficiente para responder às demandas da crise. Por isso, defende uma função mais importante para o G20. Para isso, o G20 deve passar a ser integrado pelos chefes de Estado e que tenha um maior número de reuniões.
"Nós nos recusamos a participar do G7 ou do G8 só para tomar cafezinho e depois não participar das reuniões mais importantes", disse Mantega.
Porém, ele não descartou a possibilidade de, ao invés do G20 ser fortalecido, o consenso girar em torno da ampliação do próprio G7 para cerca de 14 ou 15 países.
Também não excluiu um aumento de poderes do FMI para resolver o impasse sobre os grupos.
Respostas à crise
Sobre o andamento da crise financeira global, Mantega disse acreditar que o pior dela, que é o derretimento do sistema financeiro e a quebra de instituições bancárias, já passou.
"Só que ainda não se resolveram todos os problemas", disse Mantega citando o congelamento do crédito, especial o interbancário.
Mantega também elogiou a série de reduções nas taxas de juros implantadas por diversos bancos centrais, como o da Inglaterra, o Fed (Federal Reserve, o BC americano) e o da Zona do Euro.
"A tendência mundial é de queda de juros, como a política expansionista para manter a disponibilidade de crédito", disse. "Até mesmo porque a retração da economia trará uma deflação mundial."
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