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Dinheiro
09/11/2008 - 15h39

Sem medidas concretas contra crise, G20 defende reformulação de órgãos globais

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YGOR SALLES
da Folha Online

Atualizado às 16h12.

A reunião do G20 financeiro acabou neste domingo, em São Paulo, com o consenso de que a crise financeira global necessita de medidas tomadas em conjunto, e que para isso é necessária a reformulação das instituições financeiras globais. Medidas concretas de combate à crise e seus efeitos, porém, foram deixadas para a reunião do próximo fim de semana, em Washington, quando se reúnem os chefes de Estados das nações do G20.

No decorrer desta semana, grupos formados pelos países-membros do G20 montarão o que chamaram de cronograma de discussão para a reunião de chefes de Estado.

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Na reunião que terminou hoje, os membros do G20 também concordaram que os países devem tomar medidas anti-cíclicas --como aumento dos investimentos e cortes de impostos-- para evitar uma maior desaceleração da economia e fomentar uma maior regulação dos fluxos financeiros, especialmente sobre derivativos e as atividades de instituições financeiras não-bancárias, por exemplo os "hedge funds" (fundos de proteção, usados principalmente por empresas para se precaver das oscilações cambias).

Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), que concedeu entrevista coletiva nesta tarde, depois da reunião de Washington deve sair, dentro "de dois ou três meses", um cronograma com medidas concretas a respeito dos pontos discutidos hoje em São Paulo. Segundo ele, os chefes de Estado têm mais poder política para exercer pressão e pedir mudanças. "Vamos ter que trocar a roda com o carro em movimento", comparou, sobre o tempo para se discutir as mudanças.

"O presidente da França, Nicola Sarkozy, colocou cem dias de prazo. Vamos tentar colocar nesse prazo. O que eu acho mais complicado é para os Estados Unidos, que estão no meio de uma transição de governo, mas como já começaram, devem conseguir também", disse Mantega, acompanhado do secretário de Finanças do Tesouro do Reino Unido, Stephen Timms, e o ministro das Finanças da África do Sul, Trevor Manuel.

Reuters/Paulo Whitaker
Ministro Guido Mantega (Fazenda), à direita, em entrevista coletiva ao lado do secretário de Finanças britânico, Stephen Timms
Ministro Guido Mantega (Fazenda), à direita, em entrevista coletiva ao lado do secretário de Finanças britânico, Stephen Timms

Para Mantega, a reformulação das instituições financeiras globais --ponto visto como crucial pelo Brasil, segundo documento divulgado-- passa necessariamente pela inclusão de uma maior participação dos emergentes.

Segundo ele, o G20 teria maior possibilidade de responder às necessidades da crise se fosse fortalecido, ponderou. "O G20 representa melhor o quadro dos países envolvidos na economia mundial. ElE pode enfrentar melhor esse cenário internacional", disse.

De acordo com o documento divulgado pelo Brasil, essa instituição "coordenadora" também poderia ser o FMI (Fundo Monetário Internacional), desde que passe por reformas e outros mais países ganhem representatividade.

Nesse contexto, o aumento da importância do G20 viria, segundo o consenso da reunião, da transformação do órgão em uma instância de chefes de Estado. Atualmente, o grupo congrega ministros de finanças e presidente dos bancos centrais de 20 países desenvolvidos e emergentes.

Mantega ainda citou a possibilidade da criação de um grupo que monitore a crise mais profundamente. "Ela [instituição] faria um acompanhamento permanente dos acontecimentos econômicos e poderia influir rapidamente nas decisões", explicou.

A questão de como seria feita uma regulação mais efetiva das atividades financeiras globais --ponto defendido por Mantega na sexta-feira e pelo presidente Lula no sábado não foi tratada de forma profunda. Segundo as palavras de Mantega, por tratar-se de uma "discussão mais técnica", o que demandaria "um pouco mais de tempo".

Momento ideal

Para o ministro brasileiro, é o melhor momento para que uma mudança dessa magnitude no controle das instituições financeiras globais se concretize. "Não é fácil, e há momentos considerados mais adequados para fazê-la, como o de agora. Reunimos condições políticas para mudar as regras que regem o sistema financeiro internacional", disse.

Mantega admitiu que antes da reunião, não sabia se a melhor alternativa para trazer os emergentes para a discussão dos rumos da economia mundial era reforçar o G20 ou ampliar o G7 (grupo de nações mais ricas do mundo). Porém, disse, que essa dúvida acabou após os encontros.

"Uma opção seria a ampliação do G7, mas há uma certa demora deles em decidir [sobre a mudança]. Me convenci que o instrumento mais eficaz para combater a crise e até prevenir que surjam outras é o G20", disse.

Sobre as medidas anti-cíclicas, Mantega lembrou que houve consenso de que elas não devem colocar em risco a saúde financeira dos Estados, o que poderia gerar desequilíbrios econômicos --como a volta da inflação.

"Cada um deve calibrar o ritmo conforme suas peculiaridades", lembrou Mantega, dizendo ainda que o Brasil por enquanto não tomará nenhuma medida drástica a respeito porque ainda não houve aqui uma redução da atividade econômica. "Mesmo assim, estamos trabalhando para reduzir o custo do crédito e já fizemos uma medida fiscal, que foi o adiamento do recolhimento dos tributos", disse.

"Discordâncias surgirão quando formos decidir as formas de regulação que vamos seguir", disse o ministro. Segundo ele, um grupo de países que inclui o Brasil querem uma regulamentação mais rigorosa, que consiga detectar com precisão os movimentos dos derivativos em escala mundial. Enquanto isso, outro grupo formado essencialmente por países que possuem a maioria dos investidores que trabalham com esse instrumento, deverão reprimir essa demanda.

Comentários dos leitores
Eduardo Giorgini (442) 04/12/2009 11h31
Eduardo Giorgini (442) 04/12/2009 11h31
Concordo!
Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
sem opinião
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celso assis (77) 03/12/2009 10h03
celso assis (77) 03/12/2009 10h03
Falando ironicamente :
Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
19 opiniões
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Olmir Antonio de Oliveira (75) 03/12/2009 09h47
Olmir Antonio de Oliveira (75) 03/12/2009 09h47
A repeito da recuperação de mercados..... A dizer da econômia brasileira, no termo equilibrio, travessia, em termos econômicos um bom comparativo, uma ponte, com bons fundamentos (extrutura), tensionada, fortemente exigida, mas com capacidade para resistir, suportar "o uso" e "abusos". Com isto certamente possibilita um avanço significativo em termos econômicos, em ganhos em diversos niveis, um crecimento, uma melhoria de padrão geral, a formação de um novo conceito de solidez, de desenvolvimento como um todo. Imperativo o controle de gastos "em época eleitoral", os famosos desperdicios, as demagogias, erros, politicagem,propaganda enganosa. época que se faz nescessário ampliação de critérios, e cobranças com os gastos, em obras sem útilidade efetiva, e ou duradoura. Do história inicio de ano, época de férias.....atividades reduzidas, coisas se bem pensadas e organizadas podem dar bons resultados aos trabalhadores, empresas, consumidor, já no trimestre seguinte, cautela, controles, agilidade operacional, e de sistemas produtivos, ...... 2 opiniões
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