Dinheiro
10/11/2008 - 12h34

Ministra francesa alerta para "tentações protecionistas" diante de crise

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

A ministra da Economia, da Indústria e do Emprego da França, Christine Lagarde, alertou nesta segunda-feira, em São Paulo, para as "tentações protecionistas" de países diante da crise financeira. Segundo ela, o governo do presidente Nicolas Sarkozy vai manter as reformas do país, a fim de tornar a economia francesa menos restrita e mais competitiva.

"A economia da França é restrita, por questões impostas por si própria. Há uma série de restrições que devem ser levantadas para que a economia francesa seja mais competitiva. Vamos continuar as reformas apesar da crise, para levantar tentações protecionistas", disse.

Nas últimas negociações da Rodada Doha de liberalização mundial do comércio na OMC (Organização Mundial de Comércio), em julho deste ano, a França resistiu a um acordo por defender benefícios e subsídios sobretudo ao setor agrícola.

Paulo Whitaker/Reuters
França deve apresentar posição sobre biocombustíveis em dezembro, diz ministra
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Quanto às restrições européias aos biocombustíveis, questionadas por países produtores como o Brasil, Lagarde se eximiu de antecipar uma posição de seu país para reduzir o embate. Mas disse que o presidente Nicolas Sarkozy deverá apresentar uma decisão até o final de dezembro, quando a questão deverá ser debatida no âmbito das relações de Brasil e União Européia.

A ministra francesa participa nesta segunda-feira da abertura dos Encontros dos Negócios França-Brasil, com o objetivo de impulsionar o comércio entre os dois países. Segundo ela, a França quer dobrar o número de pequenas e médias empresas francesas que trabalham no Brasil, até chegar a 600 companhias.

Esse também é o evento de pré-lançamento do Ano da França no Brasil, a ser realizado em 2009. Segundo Lagarde, em 2009, haverá uma trabalho para mudar a imagem da França no Brasil, e vice-versa.

"O Brasil é um país diferente do que era anos atrás. É um país forte, ocupa o 10º lugar em termos de PIB [Produto Interno Bruto], é forte em matérias-primas, agricultura e tecnologia variada. Como se vê na imprensa internacional, é um país que nunca pára de ser emergente, mas que tem uma posição muito forte", disse.

Apesar de o Brasil ser o principal parceiro da França na América Latina, é o 25º cliente e 23º fornecedor para o país europeu --contribui para apenas 0,8% dos fluxos comerciais totais da França, segundo dados da Ubifrance, agência francesa de desenvolvimento internacional das empresas. As vendas francesas para o Brasil são puxadas pela indústria aeronáutica (com alta de 20,5% em 2007 ante expansão das exportações totais de 2,3%), enquanto do lado brasileiro destaca-se o fornecimento de commodities.

G20

Lagarde, que também participou da reunião do G20 financeiro no final de semana, disse não ter se decepcionado com a ausência de propostas concretas ao final do encontro para solucionar a crise financeira global.

"Eu não estou decepcionada, porque nosso objetivo era fazer um trabalho de preparação para a reunião dos nossos chefes em Washington, na próxima semana. Nosso desejo era preparar e eliminar dificuldades e divergências para nossos chefes fazerem propostas sobre questões de valor e ações concretas", disse.

Na reunião, o G20 sugeriu que ocorra uma série de mudanças na estrutura dos órgãos financeiros internacionais, como o FMI (Fundo Monetário Mundial), um maior controle sobre a movimentação de investidores e mais medidas de estímulo ao crescimento econômico. Porém, em nenhum dos casos foram anunciadas medidas objetivas, o que se espera da reunião em Washington.

"O encontro me permitiu expor as idéias européias, de regulação de produtos e territórios, a necessidade de mecanismos e termos para um pólo de coordenação e reposicionar o FMI. É preciso revisar as condutas e normas contábeis e termos mecanismos de alerta", afirmou Lagarde.

Entre as medidas da União Européia para enfrentar a crise, a ministra da França destacou a decisão do BCE (Banco Central Europeu) em reduzir os juros para 3,25% ao ano (o segundo corte em um mês), do ponto de vista de política monetária. No âmbito da política fiscal, ela valorizou a decisão da França de não compensar a redução de receita com elevação de impostos.

"Também encorajamos países da União Européia a tomar medidas pontuais e oportunas à agenda", disse.

 

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