Estados Unidos anunciam plano para evitar execução de hipotecas
da Folha Online
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira um plano de resgate voltado aos proprietários de imóveis em dificuldades. O objetivo é prevenir a execução de hipotecas --origem da crise financeira na qual mergulho os EUA e o mundo-- por meio da modificação das condições dos empréstimos.
O novo programa amplia o denominado "Hope Now" ("Esperança agora"), destinado a evitar despejos, informou a agência federal de financiamento imobiliário (FHFA).
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As hipotecas alvo da ajuda são principalmente as operadas pela Fannie Mae e Freddie Mac, gigantes do setor imobiliário salvas por ajuda financeira do governo e estatizadas.
"São famílias despejadas, seus vizinhos, comunidades inteiras, todo o mercado imobiliário. (...) Precisamos encerrar essa espiral negativa", afirmou James Lockhart, diretor da agência reguladora de financiamentos de hipotecas.
| Fernando Canzian/Folha Imagem |
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| Com aumento do desemprego, cresce ainda mais inadimplência no setor imobiliário |
O plano terá abrangência ampla uma vez que a Fannie Mae e a Freddie Mac, sozinhas, possuem cerca de 31 milhões de hipotecas nos EUA, ou seis em cada dez hipotecas. Apesar disso, o governo informou que não possui estimativa de quantas pessoas poderiam ser ajudadas pelo programa.
Para se qualificar para o socorro, o mutuário deverá estar pelo menos três meses atrasado em seus empréstimos para habitação, além de dever mais de 90% do valor do imóvel atual. Os investidores que não ocuparem as casas hipotecadas estão excluídos, assim como os mutuários que pediram falência.
A ajuda poderá ser dada de várias maneiras. Uma delas é a redução da taxa de juros até o ponto em que o devedor não usará mais de 38% de seus ganhos mensais com a parcela. Outra opção é prorrogar os empréstimos de 30 anos para 40 anos.
Um estudo recente da Moody's Economy.com estima que 7,3 milhões de chefes de família que adquiriram a casa própria ficariam inadimplentes entre 2008 e 2010, e que 4,3 milhões deles poderiam perder suas residências.
Cerca de 80% das famílias americanas são proprietárias das casas onde vivem. O programa "Hope Now", que reúne credores, conselheiros e investidores, anunciou no final de outubro ter evitado 2,5 milhões de execuções hipotecárias desde julho de 2007.
Citigroup
Também hoje o Citigroup divulgou medidas para ajudar mutuários nos Estados Unidos endividados com a compra da casa própria, a fim de que possam se manter em dia com o pagamento de suas hipotecas e evitar o despejo.
| Fernando Canzian/Arquivo Pessoal |
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| Allona Llavori que, além de perder dois imóveis, pode ser despejada da casa que aluga |
O gigante bancário americano anunciou "uma série de iniciativas elaboradas para ajudar os compradores potencialmente em perigo [de insolvência] a se manter em dia com suas hipotecas e, conseqüentemente, continuar em suas casas".
O Citi irá reavaliar a situação de 500 mil proprietários nos próximos seis meses que estão em risco de ficar atrasados com o pagamento de seus empréstimos. O banco vai renegociar prazos de pagamento dessas hipotecas, que acumulam um valor de US$ 20 bilhões.
O Citi informou ontem que não iria concluir o processo ou mesmo dar início ao processo de despejo se o imóvel hipotecado for a residência principal do mutuário, se ele se dispuser a trabalhar com o Citi para renegociar a dívida e seu salário for suficiente para efetuar pagamentos ao banco.
Uma equipe de 600 corretores de imóveis deve auxiliar os mutuários que serão auxiliados pela iniciativa do banco a ajustar as taxas de juros de seus empréstimos ou a aumentar o prazo do financiamento.
Dos quatro dos principais bancos americanos --Citigroup, JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo--, o Citi é o que está mais comprometido devido aos abalos da crise das hipotecas de risco no país. As medidas pretendem evitar que o banco sofra novas perdas com inadimplência.
"É nosso interesse que os mutuários fiquem em suas casas e efetuem os pagamentos", disse o executivo-chefe do CitiMortgage, Sanjiv Das. "Com a taxa de desemprego começando a nos assombrar, vai haver um nervosismo crescente no mercado."
Com Associated Press e Reuters
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