Dinheiro
11/11/2008 - 17h46

Estados Unidos anunciam plano para evitar execução de hipotecas

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da Folha Online

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira um plano de resgate voltado aos proprietários de imóveis em dificuldades. O objetivo é prevenir a execução de hipotecas --origem da crise financeira na qual mergulho os EUA e o mundo-- por meio da modificação das condições dos empréstimos.

O novo programa amplia o denominado "Hope Now" ("Esperança agora"), destinado a evitar despejos, informou a agência federal de financiamento imobiliário (FHFA).

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As hipotecas alvo da ajuda são principalmente as operadas pela Fannie Mae e Freddie Mac, gigantes do setor imobiliário salvas por ajuda financeira do governo e estatizadas.

"São famílias despejadas, seus vizinhos, comunidades inteiras, todo o mercado imobiliário. (...) Precisamos encerrar essa espiral negativa", afirmou James Lockhart, diretor da agência reguladora de financiamentos de hipotecas.

Fernando Canzian/Folha Imagem
Com aumento do desemprego, cresce ainda mais inadimplência no setor imobiliário
Com aumento do desemprego, cresce ainda mais inadimplência no setor imobiliário

O plano terá abrangência ampla uma vez que a Fannie Mae e a Freddie Mac, sozinhas, possuem cerca de 31 milhões de hipotecas nos EUA, ou seis em cada dez hipotecas. Apesar disso, o governo informou que não possui estimativa de quantas pessoas poderiam ser ajudadas pelo programa.

Para se qualificar para o socorro, o mutuário deverá estar pelo menos três meses atrasado em seus empréstimos para habitação, além de dever mais de 90% do valor do imóvel atual. Os investidores que não ocuparem as casas hipotecadas estão excluídos, assim como os mutuários que pediram falência.

A ajuda poderá ser dada de várias maneiras. Uma delas é a redução da taxa de juros até o ponto em que o devedor não usará mais de 38% de seus ganhos mensais com a parcela. Outra opção é prorrogar os empréstimos de 30 anos para 40 anos.

Um estudo recente da Moody's Economy.com estima que 7,3 milhões de chefes de família que adquiriram a casa própria ficariam inadimplentes entre 2008 e 2010, e que 4,3 milhões deles poderiam perder suas residências.

Cerca de 80% das famílias americanas são proprietárias das casas onde vivem. O programa "Hope Now", que reúne credores, conselheiros e investidores, anunciou no final de outubro ter evitado 2,5 milhões de execuções hipotecárias desde julho de 2007.

Citigroup

Também hoje o Citigroup divulgou medidas para ajudar mutuários nos Estados Unidos endividados com a compra da casa própria, a fim de que possam se manter em dia com o pagamento de suas hipotecas e evitar o despejo.

Fernando Canzian/Arquivo Pessoal
Allona Llavori que, além de perder dois imóveis, pode ser despejada da casa que aluga
Allona Llavori que, além de perder dois imóveis, pode ser despejada da casa que aluga

O gigante bancário americano anunciou "uma série de iniciativas elaboradas para ajudar os compradores potencialmente em perigo [de insolvência] a se manter em dia com suas hipotecas e, conseqüentemente, continuar em suas casas".

O Citi irá reavaliar a situação de 500 mil proprietários nos próximos seis meses que estão em risco de ficar atrasados com o pagamento de seus empréstimos. O banco vai renegociar prazos de pagamento dessas hipotecas, que acumulam um valor de US$ 20 bilhões.

O Citi informou ontem que não iria concluir o processo ou mesmo dar início ao processo de despejo se o imóvel hipotecado for a residência principal do mutuário, se ele se dispuser a trabalhar com o Citi para renegociar a dívida e seu salário for suficiente para efetuar pagamentos ao banco.

Uma equipe de 600 corretores de imóveis deve auxiliar os mutuários que serão auxiliados pela iniciativa do banco a ajustar as taxas de juros de seus empréstimos ou a aumentar o prazo do financiamento.

Dos quatro dos principais bancos americanos --Citigroup, JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo--, o Citi é o que está mais comprometido devido aos abalos da crise das hipotecas de risco no país. As medidas pretendem evitar que o banco sofra novas perdas com inadimplência.

"É nosso interesse que os mutuários fiquem em suas casas e efetuem os pagamentos", disse o executivo-chefe do CitiMortgage, Sanjiv Das. "Com a taxa de desemprego começando a nos assombrar, vai haver um nervosismo crescente no mercado."

Com Associated Press e Reuters

 

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