Compra da BrT deve ser concluída até o final do ano, diz presidente da Oi
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, admitiu nesta quarta-feira que o cumprimento do prazo de 21 de dezembro para a conclusão da compra da Brasil Telecom está "apertado", mas manifestou confiança no fechamento do negócio ainda neste ano. Caso a fusão não seja viabilizada até esta data, a Oi terá que pagar multa de R$ 500 milhões à Brasil Telecom.
O executivo afirmou que a alteração no PGO (Plano Geral de Outorgas), que permitirá o negócio, "está andando, encontra-se em análise na Casa Civil". Depois de aprovada a mudança na lei, a Oi ainda tem que fazer o pedido de liberação prévia do negócio junto à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
Falco acrescentou que não há nenhuma hipótese por enquanto de adiamento do prazo estipulado para o negócio. "Neste momento não tem a menor possibilidade. Há um contrato assinado que tem que ser cumprido. A gente acha que dá para fazer esse ano, e tem como fazer esse ano. Temos sinais históricos de que já foram tramitados processos neste período", justificou Falco depois de participar de um seminário no Rio que discutiu os efeitos da crise financeira.
O presidente da Oi destacou que a crise não afeta o planejamento da empresa e frisou que já vê melhora no ambiente econômico, principalmente em relação ao volume de crédito disponível no mercado. Segundo Falco, os investimentos previstos pela empresa para o próximo ano não sofrerão alterações significativas.
O executivo disse ainda que a Oi não observou arrefecimento no consumo em seu mercado de atuação. "Algum tipo de desaceleração poderá ser possível, mas no médio e longo prazos, acho que muda muito pouco ou quase nada", disse.
Falco confirmou que a Oi pediu, à exemplo de outras operadoras, a postergação do início do pagamento da licença para a operação da tecnologia 3G. A justificativa é o agravamento da crise financeira. O executivo explicou que os pagamentos teriam que ser feitos a partir de 2009, à vista ou de forma parcelada. O pleito das operadoras sugere o início desses desembolsos em 2010.
Ele cobrou do governo o atendimento do desejo das empresas, comparando a concessão do adiamento com a ajuda que alguns setores estão recebendo devido à crise. Ao todo, as operadoras terão que pagar R$ 3,5 bilhões pelas licenças.
A Claro já fez o pagamento no ato do leilão, mas Falco considera que isso não será empecilho, já que a maior parte das operadoras está fazendo o pedido. "O governo tem de alguma maneira ajudado a curto prazo várias indústrias dando liquidez. O fato de pedir para postergar o pagamento que se planejou significa que aquele dinheiro vai sair só um ano depois. Portanto, a liquidez vai ficar em caixa", observou Falco, lembrando que a medida não se diferenciaria do pacote para a indústria automobilística.
"O que estamos falando é que, por enquanto, não reduzimos os investimentos. Eventualmente vamos bater no lugar que a gente tenha que reduzir, não por demanda mas sim por falta de liquidez. Parece que é de bom tom que a gente não passe por isso", completou o executivo, destacando que os investimentos do mercado 3G necessitam de recursos complementares.
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