Bovespa sofre queda de 7,41%; dólar fecha a R$ 2,29 apesar de ação do BC
da Folha Online
O Banco Central agiu agressivamente no mercado de câmbio com a disparada dos preços da moeda americana nesta quarta-feira. O mercado reagiu com nervosismo à bateria de más notícias da economia americana e européia e levou o dólar de volta a R$ 2,31 no pior momento do dia. E nas últimas operações de hoje, o dólar comercial foi cotado a R$ 2,290 para venda, o que representa uma alta de 2,92% sobre a cotação de terça-feira.
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Em um dia tenso no mercado mundial, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desaba 7,41% (pelo índice Ibovespa) e marca 34.500 pontos. O giro financeiro é de R$ 4,05 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York retrocede 3,50%.
Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 2,430, um incremento de 2,96% sobre a taxa anterior.
O Banco Central vendeu moeda logo pela manhã, às 10h42, e aceitou ofertas por R$ 2,25 (taxa de corte). Pouco depois, promoveu um leilão de contratos de "swap" cambial, às 12h45, já previsto desde ontem. A autoridade monetária ofereceu 10 mil contratos, integralmente aceitos pelos bancos. Uma hora depois, o BC anunciou um novo leilão de "swap" , oferecendo outros 10 mil contratos, conferindo com a demanda do mercado.
"Nesta semana, somente tivemos más notícias. A única positiva foi logo na segunda-feira [o pacote fiscal chinês de US$ 586 bilhões], mas o efeito passou rápido. Mas mercado realmente piorou depois do anúncio do [Henry] Paulson", comenta Glauber Romano, economista da corretora de câmbio Intercam.
Hoje, o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, anunciou que o pacote de US$ 700 bilhões, inicialmente utilizado para comprar créditos podres nos bancos americanos, também deve ser usado para resgatar empresas fora do setor bancário.
O mercado já percebeu, no entanto, que os problemas da economia americana se espalharam para além do setor financeiro. "O governo americano precisa definir rapidamente como vai fazer para ajudar as indústrias automobilísticas, antes que a situação piore ainda mais", acrescenta Romano, da Intercam.
Antes do anúncio de Paulson, o humor dos agentes financeiros já estava "estragado" pela bateria de más notícias tanto da economia dos EUA quanto da Europa. No Reino Unido, o governo informou que o contingente de desempregados alcançou sua pior marca desde 1997; na Espanha, o Tesouro local confirmou que o PIB teve uma contração no terceiro trimestre; e os bancos europeus ING e Hypo Real State revelaram perdas bilionárias.


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