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Dinheiro
13/11/2008 - 12h49

Presidente do BB nega pressão do governo para banco voltar à liderança

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

O presidente do Banco do Brasil, Lima Neto, afirmou nesta quinta-feira que "não é uma questão de honra" a instituição voltar à liderança do mercado bancário brasileiro, perdida após a fusão Itaú-Unibanco. Ele ressalta, no entanto, que o BB tem de ser grande e ter a mesma ordem de grandeza dos seus concorrentes, considerando assim a possibilidade de mais aquisições.

Em relação às negociações para a compra da Nossa Caixa, Lima Neto disse que ainda não estão concluídas e que um desfecho deve ser divulgado oportunamente. "Como continuamos o processo de negociação, não podemos nos comprometer com prazos [para a finalização]", afirmou Neto, que admitiu que o BB quer crescer em São Paulo e que uma aquisição facilitaria o processo.

Também hoje, o presidente do banco Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, afirmou que as negociações com o Banco do Brasil prosseguem e que a expectativa é que a venda seja "concluída o mais breve possível".

Lima Neto descartou que exista algum tipo de pressão do governo federal para que se concretizem novas aquisições pelo BB. Nesta semana, a instituição aprovou a compra do Banco do Piauí, e negocia ainda com o Banco do Brasília e o Votorantim, braço financeiro do grupo controlado pela família Ermírio de Moraes --sobre este último, Neto afirmou não ter "nada concreto a dizer".

Segundo Neto, em nenhum momento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou que o Banco do Brasil seja obrigado a fazer aquisições. "Não é questão de honra volta à liderança, para não dar a idéia de que o BB está disposto a fazer qualquer negociação. Tem de ser [um negócio] auto-sustentável e compatível às melhores práticas do mercado."

Neto destacou que o Banco do Brasil precisa ter crescimento além do orgânico (expansão dos próprios negócios) e que tal posição já existe antes mesmo do início da crise financeira e da fusão Itaú-Unibanco, que, juntos, se tornaram o maior da América Latina.

"A perspectiva de crescimento é inexorável, o BB não pode ficar estagnado. Tem de ser grande e ter a mesma ordem de grandeza de seus concorrentes. O BB vai crescer organicamente e enxergar possibilidade de novas aquisições", disse Neto. "Temos de desfazer esta idéia [de que tem de retomar a liderança] para que o BB não entre em uma corrida maluca para comprar qualquer banco."

Lucro

O Banco do Brasil registrou um lucro líquido de R$ 1,867 bilhão no terceiro trimestre, um crescimento de 36,9% sobre o mesmo período de 2007. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o crescimento foi de 13,6%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira.

Nos nove primeiros meses deste ano, o lucro líquido do banco foi de R$ 5,9 bilhões, 52,5% de crescimento em relação ao observado no mesmo período de 2007.

A carteira de crédito alcançou R$ 202,2 bilhões, expansão de 34,6% em 12 meses e de 6,4% no trimestre. Já a carteira de crédito doméstica cresceu 37,5% em 12 meses e 5% no trimestre.

 

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