Queda do emprego na indústria paulista foi gerada pela crise, diz Fiesp
YGOR SALLES
da Folha Online
A queda no nível de emprego na indústria paulista em outubro foi atípica e já é um sinal da falta de confiança diante da crise financeira internacional, disse nesta quinta-feira o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Francini.
Em outubro, a indústria paulista demitiu 10.000 pessoas, o que gerou uma redução do nível de emprego de 0,41% em outubro na comparação com o mês anterior, nos dados sem ajuste sazonal.
"Mais do que o valor numérico [de demissões], a importância fica na alteração do padrão", disse Francini, se referindo ao fato de que normalmente há crescimento do nível de emprego em outubro --a última vez que houve queda no mês foi em 2003. Ele ainda disse que o dado "não foi tão bom quanto gostaríamos e nem tão ruim como poderíamos prever".
O economista explicou que pode-se atrelar a queda do nível de emprego com a crise não só pelas conversas com os diversos setores, como também pelo alto número de setores que indicaram queda no mês. Dos 21 pesquisados pela Fiesp, dez mais demitiram que contrataram --em outubro do ano passado, por exemplo, foram apenas cinco.
"Isso mostra que a queda do emprego é disseminada, embora não seja significativa em termos absolutos", disse. "Foi mais por expectativa e precaução diante da crise do que por causa da atividade industrial em si, que ainda não sofreu alteração."
Previsões
Francini informou que a Fiesp trabalha neste momento nas previsões da indústria paulista e da economia brasileira em geral para 2009, que serão divulgadas no início de dezembro. Mas não mostrou animação quanto à precisão dos números.
"Elas estarão cheias de 'acho que' e baseados em situações pouco concretas. É impossível saber quando [a economia global] vai sair da UTI, e enquanto isso não ocorre não dá para fazer um diagnóstico preciso", disse. "Tenho a crença que nosso desempenho será melhor do que a média, mas não sabemos qual será a média. Logo, não sabemos como o Brasil ficará."
O economista informou ainda que a situação do crédito para as indústrias paulistas segue problemática, embora não quisesse fazer uma análise mais profunda. "Ela é disseminada mas não é uniforme. E inegavelmente cresceu o custo do crédito, uma vez que a oferta se reduziu", disse.
Quanto ao câmbio, Francini disse que a atual situação de volatilidade nas cotações chega a ser pior do que o real valorizado. "A pior taxa de câmbio que existe é a volátil porque você não consegue planejar o futuro", explica. "A indústria brasileira será beneficiada com a nova taxa de câmbio [hoje na casa dos R$ 2,30]. Mas isso leva um tempo."
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