BB compra R$ 8,2 bi em carteiras e eleva previsão de alta do crédito
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
Na contramão de um cenário de crise de crédito internacional e favorecido por medidas do governo diante à restrição de dinheiro no mercado, o Banco do Brasil projeta crescimento da carteira de crédito de 30% a 35% para este ano, ante estimativa anterior de 25% e 30%. Para 2009, Adézio Lima, vice-presidente do BB, estima elevação de 20% a 25%.
A expansão neste ano deverá ser liderada pelo crédito a pessoas físicas (entre 40% e 45%, ante estimativa anterior de 35% a 40%). O crédito a pessoas jurídicas deverá crescer entre 35% e 40% e o agronegócio, 20%.
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Segundo informou o presidente do banco, Lima Neto, nesta quinta-feira durante divulgação dos resultados do terceiro trimestre, o Banco do Brasil já comprou até este mês R$ 8,2 bilhões em carteira de crédito, considerando os recursos próprios e aqueles liberados do depósito compulsório.
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Desde outubro, R$ 17,1 bilhões foram analisados, dos quais R$ 5,9 bilhões foram adquiridos por intermédio da liberação do depósito compulsório. Deste montante, 44% é de consignado, 29% de veículos e 27% comercial.
Lima Neto disse que a instituição está empenhada em manter e preservar sua carteira de crédito. Ele afirmou que o banco não só está comprando carteiras de instituições menores, como incentivando a circulação do crédito, a exemplo do que fez com a liberação de R$ 4 bilhões para as financeiras e bancos ligados às montadoras de veículos.
"Na carteira de veículos, conseguimos uma posição consolidada da concessionária para dentro. Na ponta do consumo, é uma carteira de R$ 6 bilhões e temos a intenção de olhar nessa direção", disse Neto.
Segundo ele, entre os nichos de crescimento do BB, está a ampliação dos negócios em São Paulo e o desenvolvimento da carteira de crédito de veículos, na ponta.
O financiamento de veículos atingiu R$ 5,6 bilhões no terceiro trimestre deste ano, em expansão de 151,7% em relação ao mesmo período no ano passado. O crédito para pessoa física (financiamento ao consumo) subiu 45,4%, para R$ 42,9 bilhões no terceiro trimestre deste ano ante o mesmo em 2007.
A carteira de crédito total encerrou o último trimestre com saldo de R$ 202,2 bilhões (alta de 34,6% em 12 meses e 37,5% em relação ao trimestre de 2007). Com esse resultado, a participação do BB no mercado atingiu 16,5%.
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"Dado o contexto de incerteza em relação às perspectivas econômicas e qual a intensidade da crise de crédito, desmontar uma carteira de crédito de R$ 202 bilhões tem um custo muito grande. Daí porque o Banco Brasil conseguir manter essa carteira e não parar o crédito para a economia e reduzir o risco sistêmico", disse Neto.
Entre as medidas adotadas ante a redução do dinheiro em circulação no país, Neto citou a liberação de 15% mais recursos do crédito rural para a atual safra em relação ao mesmo período de 2007. "Temos R$ 30 bilhões para a safra 2008/2009 e pode até crescer. No estágio atual da safra, desembolsamos 15% mais, de maneira a preservar a saúde do crédito rural", disse.
Também citou o esforço em fomentar o comércio externo brasileiro, segmento em que o BB tradicionalmente tem um terço das negociações, e manter a liderança em capital de giro para empresas.
"Os leilões do BC estão sendo excelentes aos exportadores para ACC [Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio] com prazo de 180 dias. Para 360 dias está mais escasso. Tenho a impressão que a autoridade monetária já percebeu isso e vai alongar o prazo dos leilões", disse Lima Neto.
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