Juros sobem pelo sexto mês e chegam a 7,5% ao mês, aponta Anefac
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
As taxas de juros para empresas e para o consumidor mantiveram a tendência de alta em outubro pelo sexto mês consecutivo.
Segundo pesquisa da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a taxa média para pessoa física apresentou uma elevação de 0,08 ponto percentual no mês, de 7,46% ao mês (137,12% ao ano) em setembro para 7,54% ao mês (139,24% ao ano) em outubro. É a maior taxa de juros média desde junho de 2006.
Para a pessoa jurídica, os juros tiveram uma elevação de 0,07 ponto percentual, de 4,36% ao mês (66,88% ao ano) para 4,43% ao mês (68,23% ao ano), a maior taxa desde março de 2006.
Desde setembro de 2005, o Banco Central reduziu os juros de 19,75% ao ano para 13,75% ao ano (seis pontos percentuais). Nesse período, a taxa para pessoa física apresentou uma redução de 1,88 ponto percentual. A das empresas ficou estável.
Crise
De acordo com a Anefac, o consumidor brasileiro já começa a sentir os efeitos da crise financeira. Além de uma maior seletividade dos bancos na liberação do crédito, foi constatada redução dos prazos de financiamentos em cerca de 12 meses.
Em veículos, por exemplo, os prazos máximos foram reduzidos de 72 meses em agosto de 2008 para 60 meses em outubro deste ano. No caso de bens diversos (linha branca, linha marrom, móveis, computadores), o prazo foi reduzido de 36 meses para 24 meses.
A contração do crédito e a falta de liquidez (dinheiro em circulação), bem como o custo mais elevado do dinheiro, são os principais reflexos da crise financeira no Brasil. Nesse sentido, o Banco Central tem realizado uma série de mudanças no compulsório para injetar mais dinheiro na economia e normalizar a situação da concessão de crédito.
Procon
Pesquisa da Fundação Procon-SP, divulgada também nesta quinta-feira, apontou que os custos das linhas de crédito "empréstimo pessoal" e "cheque especial" aumentaram nos principais bancos do país em novembro. A taxa média para empréstimo pessoal aumentou de 6,04% ao mês para 6,15% entre o início de outubro e o dia 4 de novembro.
Já a taxa média para a linha de cheque especial aumentou de 8,96%, detectada na pesquisa de outubro, para 9,24% em novembro, o maior juro desde julho de 2003.
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