Dinheiro
14/11/2008 - 15h31

Cúpula do G20 nos EUA abrirá caminho para novo sistema financeiro

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CÉSAR MUÑOZ ACEBES
da Efe, em Wasghinton

A cúpula que reunirá esta semana em Washington os chefes de Estado e de governo das principais economias do mundo visa a iniciar a reforma do sistema financeiro em mais de meio século, mas não produzirá mudanças imediatas, segundo os analistas.

Assim como nos anos 1940, a reunião acontecerá em clima de consenso sobre a necessidade de prevenir imprudências nas instituições financeiras, que causaram a maior crise dos mercados desde a Grande Depressão.

A questão é como fazer isso. Durante a Cúpula do G20 (que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), previsivelmente serão adotadas apenas uma série de princípios, amplos e vagos, além de uma agenda de encontros futuros.

"Será útil, mas não acho que levará a ações concretas importantes a curto prazo", disse à Agência Efe o historiador Richard Sylla, da Universidade de Nova York. "Será uma prévia do que irá acontecer nos próximos dois ou três anos", acrescentou.

Alguns analistas batizaram a cúpula de "Bretton Woods 2", em alusão à reunião nesta pequena cidade do Estado americano de New Hampshire, em 1944, na qual os países aliados durante a Segunda Guerra Mundial criaram o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

Christophe Karaba/Efe
Nicolas Sarkozy,sugeriu que cúpula deveria acontecer nos EUA, epicentro da crise
Nicolas Sarkozy,sugeriu que cúpula deveria acontecer nos EUA, epicentro da crise

O encontro de agora e o de então compartilham o mesmo espírito de multilateralismo e a percepção que medidas em nível nacional não podem resolver uma crise em um sistema financeiro globalizado.

No entanto, as diferenças também são vastas. Bretton Woods aconteceu após dois anos de trabalhos preparatórios, enquanto esta cúpula foi improvisada em praticamente duas semanas.

Além disso, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, não participará da reunião, "o que reforça a idéia de que esta será uma reunião preliminar", segundo o analista William Cline, do Instituto Peterson, antigo Instituto de Economia Internacional.

A cúpula foi idéia do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que disse que o encontro deveria acontecer nos EUA pelo fato de este país estar no epicentro da crise. O governo do atual presidente dos EUA, George W. Bush, aceitou a proposta, mas não demonstrou grande entusiasmo a respeito e tentou minimizar as expectativas sobre seus resultados.

"Sarkozy apóia um processo de regulação dirigido em nível internacional, ao qual os EUA resistem", opinou Cline.

As autoridades dos EUA são a favor da colaboração com outros países, como demonstrou especialmente o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) ao coordenar com nações avançadas e em desenvolvimento medidas para dar liquidez aos mercados, mas não parecem dispostas a seguir em frente.

FMI

O governo dos EUA "está pronto para cooperar, mas não para ceder poder a uma autoridade internacional de regulação", disse Desmond Lachman, ex-alto funcionário do FMI.

A função do FMI frente à crise será um dos temas principais em debate na cúpula. O FMI entregará aos chefes de Estado e de governo reunidos em Washington um relatório no qual analisará as lições da crise financeira.

Além desse papel de assessoria, o FMI retomou sua tarefa tradicional de credor de países à beira da bancarrota. Islândia e outros países do Leste Europeu já bateram na porta do FMI, mas se espera que essa lista ainda aumente. Após anos praticamente sem clientes, a dúvida agora é se os US$ 250 bilhões do FMI serão suficientes para todos.

Rodrigo Paiva/Reuters
Sem medidas concretas contra crise, G20 defende reformulação de órgãos globais
Sem medidas concretas contra crise, G20 defende reformulação de órgãos globais

Durante a cúpula, poderia ser negociado algum mecanismo para que o FMI possa obter crédito rápido de países com reservas colossais, como China e Japão, segundo Cline. Alguns analistas chegaram a sugerir a transformação do FMI em um "super-FMI" como uma espécie de regulador internacional, mas o conceito também tem detratores.

"Sou muito cético quanto isso", disse Lachman.

"O FMI não se descuidou da crise, mas não alertou sobre o perigo", declarou Lachman, por isso, em sua opinião, não seria sensato transformar o FMI em um mega-supervisor.

Outros assuntos que a União Européia colocará sobre a mesa na cúpula são a supervisão das agências de classificação de risco, a harmonização das normas de contabilidade e regras para forçar os bancos a manterem mais reservas.

No último fim de semana, em São Paulo, o ministros de finanças e dos bancos centrais do G20 sugeriram que ocorra uma série de mudanças na estrutura dos órgãos financeiros internacionais, como o FMI, um maior controle sobre a movimentação de investidores e mais medidas de estímulo ao crescimento econômico. Porém, em nenhum dos casos foram anunciadas medidas objetivas, o que se espera da reunião em Washington.

Comentários dos leitores
Marco Hundsdorfer (33) 25/11/2009 11h34
Marco Hundsdorfer (33) 25/11/2009 11h34
Cara Chris Maria.
Obrigado pela informação. Estamos tentando agora na Justiça, porque o INSS local diz que a doença não existe (O responsável local). Falo sério.
Para quem esta dando alta para quem tem cancer ou mãos amputadas...
Agradeço, e muito, sua colaboração, assim como agradeço à Folha de São Paulo por permitir retratar este descaso, não só comigo, mas com todos aqueles que necessitam de auxilio doença em Ponta Grossa - Paraná.
sem opinião
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Chris Maria (238) 25/11/2009 09h44
Chris Maria (238) 25/11/2009 09h44
Parte 1
Prezado colega Sr. Marco Hundsdorfer (32) 23/11/2009 19h18
Li seu comentário e achei lamentável que isso esteja acontecendo porque fibromialgia é uma forma de reumatismo associada à forma de sensibilidade de uma pessoa frente a um estímulo doloroso, envolvendo músculos, tendões e ligamentos. É bastante provável que o Sr tenha conhecimento, mas enfim, não custa nada passar esse tipo de informação, até porque, talvez seja preciso juntar uma série de informações adicionais, inclusive da Sociedade Brasileira de Reumatologia, para que o caso seja devidamente enquadrado. Mesmo tendo sido reconhecida nos USA, os profissionais da área de saúde continuavam usando a classificação do Código Internacional de Doenças (CID 10) aplicando o código M.79.0 - "Outros transtornos dos tecidos moles, não classificados em outra parte" (que por não ser específico incluía a Fibromialgia), código este fornecido pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Ocorre que atualmente ele não é mais utilizado e, portanto, não tem mais validade para atestar a Fibromialgia porque esta Síndrome ganhou um código CID próprio, fornecido pela própria OMS, que é o código M.79.7, passando assim a ser uma patologia totalmente reconhecida. De modo que este é C.I.D válido e deve ser usado pelos profissionais da área de saúde.
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Chris Maria (238) 25/11/2009 09h43
Chris Maria (238) 25/11/2009 09h43
Parte 2
Prezado colega Sr. Marco Hundsdorfer (32) 23/11/2009 19h18
Na página do Ministério da Saúde > Departamento de Informática do SUS (DATASUS) > Sistemas e Aplicativos > CID 10, pode-se ter acesso ao catálogo de classificação. O fato do próprio Ministério da Saúde disponibilizar a informação é forma cabal e comprobatória da existência da patologia. Boa Sorte...
http://w3.datasus.gov.br/datasus/index.php?area=040203
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