Dinheiro
15/11/2008 - 06h48

Líderes do G20 se reúnem em busca de caminho comum para reformas

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da Efe, em Washington

Os chefes de Estado e de governo do G20 (grupo que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) apresentam neste sábado em Washington suas propostas para reformar a arquitetura financeira mundial, embora sem muito consenso, além de sua determinação para sair da crise econômica.

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Estados Unidos e Europa chegam a esta cúpula dispostos a estipular as bases para as futuras reformas financeiras e para frear futuras turbulências, mas com diferentes sugestões para atingir esses objetivos.

O governo de George W. Bush quer preservar o espírito de livre mercado e evitar uma excessiva intervenção do Estado, apesar de nas últimas semanas ter quebrado suas próprias crenças ao nacionalizar gigantes financeiros como o AIG e injetar no sistema centenas de milhões de dólares para reativar a economia.

A UE (União Européia), por outro lado, procura fazer com que destas reuniões saia um compromisso para que os diferentes governos exerçam um maior controle sobre seus sistemas financeiros, a única maneira possível de evitar os excessos que levaram a atual crise econômica.

Molly Riley/Reuters
Cúpula do G20 nos EUA abrirá caminho para novo sistema financeiro mundial
Cúpula do G20 nos EUA abrirá caminho para novo sistema financeiro mundial

Apesar das diferenças, todos os governos representados na cúpula planejam aumentar o gasto público para sair da crise.

O mais difícil no momento é chegar a um consenso para reformar as regras dos mercados financeiros internacionais, algo que não deve sair na reunião de hoje.

Todos coincidem em que será preciso esperar a próxima cúpula, que será realizada no final de fevereiro ou no começo de março, quando o presidente eleito dos EUA, o democrata Barack Obama, já terá assumido o poder.

Em discurso transmitido nos EUA, Obama anunciou nesta sexta-feira sua determinação de tocar adiante um novo plano de estímulo econômico com mais uma intervenção do Estado, ao contrário do que pensa o atual
governo Bush.

Mensagem otimista

No entanto, os chefes de Estado e de governo que se reunirão hoje no Museu Nacional da Construção (NBM, na sigla em inglês), em Washington, vão se esforçar para enviar uma mensagem de otimismo ao mundo, pressionados pelo enfraquecimento das economias dos cinco continentes.

Além de estipular as novas bases para o sistema financeiro internacional, o bloco discutirá as medidas que devem ser adotadas no curto prazo para reativar as economias. Reino Unido, Alemanha e China já anunciaram medidas de estímulo fiscal.

Uma das propostas apresentadas dentro do bloco foi a criação de uma rede de agências de supervisão que possa controlar os gigantes bancários que atuam em todos os pontos do planeta.

O governo Bush apóia esta proposta, que foi formulada pelo Reino Unido. É um projeto muito mais modesto que o estabelecimento de uma agência única de regulação internacional, proposto pela França e que encontrou a rejeição dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, também mostrou suas divergências com a proposta francesa, ao afirmar ontem que não era nem "realista nem factível".

Um dos resultados tangíveis da cúpula provavelmente será um aumento das contribuições ao FMI (Fundo Monetário Internacional), para que conte com uma maior capacidade de manobra para apagar os incêndios iniciais da crise.

Rodrigo Paiva/Reuters
Sem medidas concretas contra crise, G20 defende reformulação de órgãos globais
Sem medidas concretas contra crise, G20 defende reformulação de órgãos globais

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, oferecerá US$ 100 bilhões à entidade, iniciativa que pode ser seguida pela China e alguns dos países exportadores de petróleo.

O organismo conta com US$ 200 bilhões e pode obter facilmente outros US$ 50 bilhões, mas se um país grande como Polônia ou Turquia se encontrar em problemas, suas reservas se evaporariam.

O presidente americano também adiantou esta semana que outro dos resultados da cúpula poderia ser o compromisso para elaborar normas padrões de contabilidade financeira e criar regras comuns para os produtos derivados financeiros mais sofisticados.

Independentemente da aprovação ou não dessas propostas, todos os líderes dos países do G20, que reúne 85% da economia mundial, coincidem na necessidade de que é necessário voltar a se reunir no futuro.

São Paulo

Os ministros de finanças e dos bancos centrais do G20 estiveram reunidos no último fim de semana em São Paulo, em trabalho de preparação para o encontro deste fim de semana nos Estados Unidos.

Apesar de não terem sido apresentadas propostas, os representantes dos países do G20 sugeriram que ocorra uma série de mudanças na estrutura dos órgãos financeiros internacionais, como o FMI, um maior controle sobre a movimentação de investidores e mais medidas de estímulo ao crescimento econômico.

A expectativa é que desta reunião em Washington saiam medidas objetivas contra a crise financeira internacional. O encontro ocorre em um clima de preocupação perante o agravamento dos problemas econômicos nos Estados Unidos e Europa.

 

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