Bush adverte que crise não será resolvida "em um dia"
colaboração para a Folha Online
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que a crise financeira mundial não será "resolvida em um dia", ao abrir a cúpula do G20 (grupo que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), com um jantar na Casa Branca na noite desta sexta-feira (14).
"Este problema não se desenvolveu em apenas um dia e não será resolvido em um dia, mas sim com cooperação coordenada e determinação", disse o presidente.
| John Angelilo/11.nov.2008/Efe |
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| Crise financeira mundial não será "resolvida em um dia", diz o presidente americano George W. Bush ao abrir a cúpula do G20 |
Os dirigentes, reunidos em Washington neste fim de semana, devem elaborar uma estratégia coordenada para enfrentar a pior crise financeira mundial desde 1929, que ameaça mergulhar a economia do planeta em uma grave recessão.
Bush saudou com um brinde os líderes mundiais que compareceram à cúpula sobre a crise financeira global, dizendo que eles compartilham a determinação de solucionar os problemas que "levaram a essa turbulência" e ameaçam suas economias. "Nós estamos aqui porque compartilhamos uma preocupação com o impacto da crise financeira global nos povos de nossas nações".
"Nós compartilhamos a determinação de solucionar os problemas que levaram a essa turbulência. Nós compartilhamos a convicção de que trabalhando juntos nós podemos recolocar a economia global no caminho de uma prosperidade duradoura", acrescentou.
A cúpula que reunirá os chefes de Estado e de governo das principais economias do mundo visa a iniciar a reforma do sistema financeiro em mais de meio século, mas não produzirá mudanças imediatas, segundo analistas.
Consenso difícil
Assim como nos anos 1940, a reunião acontecerá em clima de consenso sobre a necessidade de prevenir imprudências nas instituições financeiras, que causaram a maior crise dos mercados desde a Grande Depressão.
| Christophe Karaba/Efe |
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| Nicolas Sarkozy,sugeriu que cúpula deveria acontecer nos EUA, epicentro da crise |
Alguns analistas batizaram a cúpula de "Bretton Woods 2", em alusão à reunião nesta pequena cidade do Estado americano de New Hampshire, em 1944, na qual os países aliados durante a Segunda Guerra Mundial criaram o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.
O encontro de agora e o de então compartilham o mesmo espírito de multilateralismo e a percepção que medidas em nível nacional não podem resolver uma crise em um sistema financeiro globalizado. No entanto, as diferenças também são vastas. Bretton Woods aconteceu após dois anos de trabalhos preparatórios, enquanto esta cúpula foi improvisada em praticamente duas semanas.
Além disso, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, não participará da reunião, "o que reforça a idéia de que esta será uma reunião preliminar", segundo o analista William Cline, do Instituto Peterson, antigo Instituto de Economia Internacional.
A cúpula foi idéia do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que disse que o encontro deveria acontecer nos EUA pelo fato de este país estar no epicentro da crise. O governo do atual presidente dos EUA, George W. Bush, aceitou a proposta, mas não demonstrou grande entusiasmo a respeito e tentou minimizar as expectativas sobre seus resultados.
As autoridades dos EUA são a favor da colaboração com outros países, como demonstrou especialmente o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) ao coordenar com nações avançadas e em desenvolvimento medidas para dar liquidez aos mercados, mas não parecem dispostas a seguir em frente.
A função do FMI frente à crise será um dos temas principais em debate na cúpula. O FMI entregará aos chefes de Estado e de governo reunidos em Washington um relatório no qual analisará as lições da crise financeira.
Além desse papel de assessoria, o FMI retomou sua tarefa tradicional de credor de países à beira da bancarrota. Islândia e outros países do Leste Europeu já bateram na porta do FMI, mas se espera que essa lista ainda aumente. Após anos praticamente sem clientes, a dúvida agora é se os US$ 250 bilhões do FMI serão suficientes para todos.
Com Efe, France Presse e Reuters
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