Dinheiro
16/11/2008 - 17h04

Berlusconi defende G8 frente ao G20; Lula diz que grupo rico será "clube de amigos"

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colaboração para a Folha Online

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, defendeu neste domingo (16) o futuro do G8 --formado pelos sete países mais ricos e Rússia--, frente ao G20 (que inclui os países emergentes) e confirmou um plano de apoio à economia da Itália. Por outro lado, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva considera que o G20 irá transformar o G8 em "um clube de amigos"

"A partir de 1º de janeiro, teremos a presidência do G8, que não foi apagado pelo G20. Na realidade, certos problemas devem ser discutidos por países cujas democracias estão consolidadas, enquanto outros países, que integram o G20, ainda estão no caminho para a democracia", justificou Berlusconi.

Leia íntegra da declaração final do G20, em inglês
Leia a cobertura completa sobre a crise dos EUA

O chefe do governo italiano fez a declaração em um discurso por telefone para os participantes de um congresso político ligado a seu partido, depois de retornar de Washington (EUA), onde participou na reunião do G20 que analisou a atual crise financeira mundial.

Berlusconi respondeu assim à opinião do jornal "La Stampa", que em um artigo, sob o título "Adeus à velha Europa", considera que a Europa, "muito presente no tradicional G8", vai perder muita influência no G20.

O G8 conta com Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia. O G20 tem ainda a União Européia, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia.

Ettore Ferrari/Efe
Berlusconi afirma que "certos assuntos devem ser discutidos por democracias consolidadas"; Lula diz G8 será "um clube de amigos"
Berlusconi afirma que "certos assuntos devem ser discutidos por democracias consolidadas"; Lula diz G8 será "um clube de amigos"

Berlusconi também confirmou a apresentação dentro de alguns dias de um plano de 80 bilhões de euros "a favor das empresas e das famílias", segundo suas palavras.

"Clube de amigos"

O presidente Lula disse ontem (15) que a Cúpula do G20 foi histórica e representa uma mudança no panorama político mundial.

"Apenas posso dizer que o dia de hoje [ontem] é histórico. Saio daqui com a certeza de que a geografia política do mundo ganhou uma nova dimensão", afirmou Lula em breves declarações após a reunião.

O Brasil reivindicou durante anos uma maior influência dos países em desenvolvimento nos fóruns e instituições internacionais, assim como sua entrada no G8. Para o presidente, o sucesso da primeira reunião do G20 ainda não representa o fim do G8, mas será transformado em "um clube de amigos".

Lula afirmou que há seis meses nunca teria imaginado que o G20 ia ser o grupo escolhido "para definir de forma coletiva a reforma da economia mundial".

Acordo

Na declaração final da Cúpula do G20, os líderes se comprometeram a realizar uma reforma dos mercados financeiros por maior transparência e regulação, e que promova uma maior integridade no sistema. Além disso, o documento mostra que existe consenso entre os países quanto a necessidade de reformar instituições financeiras internacionais.

No documento, os líderes do grupo --cujos países representam 85% da economia mundial-- se comprometem a aplicar medidas fiscais para estimular as economias nacionais, e lista seis áreas que devem ser priorizadas antes de 31 de março de 2009.

As prioridades apontadas são: a reforma dos aspectos da regulação que colaboram para a crise, as normas de contabilidade, a transparência dos mercados derivados, as práticas de remuneração e a avaliação das necessidades de capital das instituições financeiras internacionais.

Poder para emergentes

O documento apontou que os líderes do G20 concordaram em aumentar a representação dos países em desenvolvimento no FMI (Fundo Monetário Internacional) e no Banco Mundial. "Estamos decididos a fazer avançar a reforma das instituições de Bretton Woods, de forma a refletir melhor a evolução dos respectivos pesos econômicos na economia mundial para aumentar sua legitimidade e eficácia", destaca o texto.

"Nesse sentido, as economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo os países mais pobres, devem ter sua voz mais ouvida e ser melhor representados", afirma o comunicado oficial.

Na reunião em Washington, os Chefes de Estado e governo do G20 concordaram em se reunir novamente antes do dia 30 de abril de 2009, "com o objetivo de verificar a execução dos princípios e decisões" adotados ontem.

Com agências France Presse e Efe

Comentários dos leitores
celso assis (66) 26/11/2009 09h01
celso assis (66) 26/11/2009 09h01
Prezado Luiz Velosa
Pouco importa receber, o negócio é emprestar para o consumo. Os especialistas dizem que 46% do PIB emprestado é pouco, pois em outros paises chega a 80%. Mas será que dá para comparar paises e condições diferentes. Os empréstimos são mais para consumo ou mais para produção?
Eles que sao especialistas e que sabem das coisas que respondam. Mas parece que nao foram capazes de prever a crise do ano passado. Outros dizem que nem crise houve (sic)!!!!!! Será que sabem onde fica o nariz deles?
sem opinião
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Luís da Velosa (1428) 25/11/2009 17h15
Luís da Velosa (1428) 25/11/2009 17h15
E depois da bonança, também pode vir a tempetade. O Natal pode parecer mais vibrante, luminoso, uma festa maravilhosa para o advento do nascimento do Menino Jesus. Mais tarde, de janeiro a novembro, muitos consumidores serão inumados por dívidas. sem opinião
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Marco Hundsdorfer (33) 25/11/2009 11h34
Marco Hundsdorfer (33) 25/11/2009 11h34
Cara Chris Maria.
Obrigado pela informação. Estamos tentando agora na Justiça, porque o INSS local diz que a doença não existe (O responsável local). Falo sério.
Para quem esta dando alta para quem tem cancer ou mãos amputadas...
Agradeço, e muito, sua colaboração, assim como agradeço à Folha de São Paulo por permitir retratar este descaso, não só comigo, mas com todos aqueles que necessitam de auxilio doença em Ponta Grossa - Paraná.
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