Dados oficiais do terceiro trimestre confirmam recessão no Japão
colaboração para a Folha Online
Atualizada às 23h24
O Japão entrou em recessão no terceiro trimestre de 2008, ao registrar uma contração (0,1%) no crescimento de sua economia pelo segundo trimestre consecutivo, confirmaram dados oficiais divulgados neste segunda-feira (17) no Japão --fim da noite de domingo no Brasil.
Prejudicado por uma forte redução do investimento empresarial, o PIB (Produto Interno Bruto) japonês recuou 0,1% em relação ao segundo trimestre e 0,4% no cálculo anual, anunciou o governo.
Esse número contrasta com as estimativas do mercado, que previa um aumento de 0,1% em comparação com o trimestre anterior, segundo a agência local "Kyodo".
No segundo trimestre, o PIB já havia sofrido uma contração de 0,9% em relação ao trimestre anterior, segundo dados oficiais revisados. Em termos nominais, com dados não ajustados às mudanças nos preços, a economia japonesa sofreu uma contração de 0,5% entre julho e setembro com relação ao trimestre anterior, e de 2,1% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
O consumo, que representa 55% da economia japonesa, subiu 0,3% no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores, e a despesa de capital das empresas caiu 1,7%.
No entanto, o investimento imobiliário subiu 4% e o investimento público cresceu 0,4%. As exportações subiram 0,7%, enquanto as importações cresceram 1,9%.
A notícia de recessão da economia japonesa fez com que a Bolsa de Tóquio abrisse as negociações com perda de 2,4%, atingindo 8.252,76 pontos.
Acordo econômico
Neste fim de semana, líderes políticos mundiais que participaram da Cúpula do G20, em Washington (EUA), se comprometeram a realizar uma reforma dos mercados financeiros por maior transparência e regulação, e que promova uma maior integridade no sistema.
Além disso, o documento final do encontro mostra que existe consenso entre os países quanto a necessidade de reformar instituições financeiras internacionais.
"Estamos decididos a aumentar nossa cooperação e trabalhar juntos para restaurar o crescimento global e aprovar as reformas necessárias nos sistemas financeiros mundiais", afirma o comunicado.
Leia íntegra da declaração final do G20, em inglês
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No documento, os líderes do grupo --cujos países representam 85% da economia mundial-- se comprometem a aplicar medidas fiscais para estimular as economias nacionais, e lista seis áreas que devem ser priorizadas antes de 31 de março de 2009.
As prioridades apontadas são: a reforma dos aspectos da regulação que colaboram para a crise, as normas de contabilidade, a transparência dos mercados derivados, as práticas de remuneração e a avaliação das necessidades de capital das instituições financeiras internacionais.
Os ministros das Finanças dos países do G20 também deverão estabelecer uma lista das entidades financeiras cuja quebra afetaria gravemente o conjunto do sistema.
Poder para emergentes
O documento do G20 apontou que os líderes que participaram da reunião concordaram em aumentar a representação dos países em desenvolvimento no FMI (Fundo Monetário Internacional) e no Banco Mundial.
"Estamos decididos a fazer avançar a reforma das instituições de Bretton Woods, de forma a refletir melhor a evolução dos respectivos pesos econômicos na economia mundial para aumentar sua legitimidade e eficácia", destaca o texto.
"Nesse sentido, as economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo os países mais pobres, devem ter sua voz mais ouvida e ser melhor representados", afirma o comunicado oficial.
Com agências France Presse e Efe
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