Crédito do BNDES para exportação cresce 44,5% e chega a R$ 4,5 bi
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
A liberação de empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para exportação cresceu 44,5% nos dez primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2007.
Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, foram emprestados R$ 4,512 bilhões no período. O objetivo é chegar ao final do ano com um total de R$ 6 bilhões de financiamentos para as vendas ao exterior.
Ele destacou que, somente em outubro, quando as linhas para exportação secaram por causa da crise internacional, os empréstimos para exportação foram 115% maiores que o registrado na média dos nove meses anteriores.
"O BNDES fez em outubro um esforço especial de apoio à exportação em função da forte redução do crédito a partir da crise financeira internacional", disse Coutinho em audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.
Crédito total
A crise também levou o banco a alcançar o valor de R$ 86,6 bilhões em empréstimos nos últimos 12 meses até outubro em todas as modalidades. A expectativa é terminar o ano com R$ 90 bilhões.
As consultas de empresas para projetos cresceram 40% de agosto a outubro em relação ao mesmo período do ano passado.
O presidente do banco estatal afirmou que os impactos da crise poderão ser minimizados se o país mantiver taxas de crescimento no investimento de 10% ao ano. A taxa atual está em 16%. Ele afirmou que o BNDES responde diretamente por 14% do investimento no país e, indiretamente, por 30%.
"A taxa de crescimento em 2009 será mais moderada do que neste ano, mas temos condições de retomar o crescimento daí em diante, apesar de uma situação internacional muito desfavorável."
Participações
Coutinho destacou, entre as linhas de financiamento do banco, um crédito de R$ 10 bilhões cuja captação ainda depende de negociações com o Ministério da Fazenda e o Banco Central.
"Uma parte será para empréstimo ponte, e um valor substancial será dedicado a setores que estejam tendo mais dificuldade com capital de giro. Estamos em discussão com o BC e Fazenda para fazer a captação no interbancário", afirmou.
O banco deve reduzir, no entanto, as vendas de papéis para reforçar seu caixa. A desvalorização das participações que o BNDES possui em outras empresas levou o banco a registrar uma perda de quase R$ 20 bilhões em três meses. O valor de ações, fundos, bônus e debêntures caiu de R$ 93,1 bilhões em junho para R$ 72,4 bilhões em setembro.
"Isso nos levará a ter uma posição de mais cautela, refreando a nossa posição vendedora", afirmou.
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