Publicidade

Dinheiro
18/11/2008 - 21h31

Setor de autopeças deve demitir 5.000 no PR, diz sindicato

Publicidade

DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba

Usando como justificativa a crise global, o setor de autopeças e montadoras do Paraná devem começar a demitir empregados a partir de janeiro, após o período de férias coletivas.

Cerca de 5.000 postos de trabalho deverão ser atingidos, caso os efeitos da crise não sejam revertidos. A informação é do presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná, Roberto Karam.

De acordo com o presidente do sindicato, as empresas do setor automotivo não estão recebendo pedidos novos. Ele disse que estimativa é que o nível de produção no segundo semestre de 2008 seja 25% menor do que o registrado no primeiro semestre deste ano.

Os problemas estão ocorrendo por causa da falta de crédito, que atinge o consumo.

"Os bancos não estão emprestando dinheiro porque não sabem se vão receber. É preciso que eles voltem a financiar crédito com juros menores e prazos maiores. Se voltarem estas facilidades, podemos tentar reverter", disse Karam.

O Paraná reúne o terceiro maior pólo automotivo do país, atrás de São Paulo e Minas Gerais, e concentra empresas como Volvo, Renault e Audi/Volkswagen. O setor automotivo, que congrega as montadoras e as empresas de autopeças, emprega cerca de 25 mil trabalhadores.

De acordo com Karam, a maior parte da parcela de empregados a serem atingidos faz parte de um grupo contratado há 12 meses para suprir a ocupar mão-de-obra criada à época com o aumento de demanda no setor automotivo.

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba acredita que as demissões previstas pela entidade patronal não vão ocorrer.

Por meio da assessoria, a direção do sindicato disse que as empresas "têm uma margem considerável de ociosidade possível, o que evidencia que, para ter problemas de demissões, a queda teria que ser de um nível muito alto, que acreditamos, não deverá ocorrer".

Para os representantes dos trabalhadores, a eleição do democrata Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, com sua plataforma de dar apoio ao setor automotivo do país, e "o próprio movimento do mercado devem naturalmente recompor um quadro de estabilidade".

Mas a direção do sindicato também reconhece que este quadro precisa vir logo. "Se a crise persistir após o final de janeiro, fevereiro, aí sim poderíamos começar a ter problemas", diz a assessoria da entidade.

A assessoria do Sinfavea, que representa as montadoras, disse que não faria comentários sobre o prognóstico do Sindimetal do Paraná. "A avaliação é dele [Karam]. No nosso setor há férias coletivas, e não demissões", informou a assessoria.

Comentários dos leitores
Do que valem essas agências? O que elas antecederam o caos que se instalou no mundo em função de créditos mal dados e de "avaliações" mal feitas? Quem acredita que essas agências têm alguma confiabilidade, dado que não alertaram ao mundo que ele ia entrar num imenso buraco? sem opinião
avalie fechar
Fernando Andrade (14) 04/07/2009 13h52
Fernando Andrade (14) 04/07/2009 13h52
Marolinha
O povo brasileiro não sabe o poder que tem. Leio muitos comentários aqui passando a ideia de que nós estamos sofrendo com a crise, que é muito mais do que o presidente Lula falou, que estamos numa pior..enfim. Claro que estamos sendo afetados pela crise, quem não está? Mas essa crise é muito mais psicológica do qualquer outra coisa para nós. Podemos sair dele numa boa e estamos nos virando bem, quer queiram ou não! O povo brasileiro (de verdade) mudou após a era Lula. Esses sim são sinais claros de que devemos acreditar no Brasil. Não um bando de pessimistas que gostam de menosprezar o Brasil.
O que falta realmente é um povo unido para juntos combatermos a desigualdade social, melhoramos a educação e criarmos o alicerce para que este país seja um lugar melhor para se viver. Parem de criticar e apresentem soluções!!!!
9 opiniões
avalie fechar
M Mig (1473) 03/07/2009 15h00
M Mig (1473) 03/07/2009 15h00
Ontem ouvi no rádio um jornalista que fala sobre o mundo automotivo dizer que não houve tsunami e nem marola por que o brasileiro continua comprando carros. Ora, um habito comum ao brasileiro é a ostentação, para isso muitos se endivida para adquirir bens que não são compatíveis com seu nível de vida. Esse fenômeno podemos observar principalmente com três bens de consumo:
-Roupas e calçados: O sujeito ganha mil e quinhentos reais, mas ele tem um tênis que custa seiscentos reais.
-Celular: A pessoa economiza até em sua alimentação, mas tem um smartfone.
-Carro: O sujeito se endivida por oito anos para comprar um carro (em 2007 o aumento de financiamentos de veículos aumentou 43,5% e desde então tem crescido a cada ano) e muitas vezes não tem dinheiro para mantê-lo ou para pagar pelo financiamento, o que causa o aumento do número de recuperações de veículos por financeiras (observado desde o ano passado).
Em suma, o jornalista fez uma afirmação ignorando que a compra de carros é impulsionada pela capacidade de endividamento, ignorando as centenas de milhares de demissões (comprovadas pela redução de captação de impostos), o aumento da inadimplência (cheque especial e financiamento de veículos são os lideres). A disseminação desse tipo de convicção cega e impede que a população exija retidão e resultados do governo federal. É lamentável que um jornalista use as atribuições de sua função para disseminar sua opinião ignorando os fatos.
17 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (3750)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca