Sem remuneração, bancos colocam mais R$ 23,6 bi do compulsório na economia
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
Atualizado às 18h01.
Os bancos brasileiros colocaram mais R$ 23,6 bilhões dos depósitos compulsórios na economia somente na última sexta-feira (14). O compulsório é a parcela dos depósitos bancários que as instituições financeiras são obrigadas a manter depositado no Banco Central.
Essa foi a data em que entrou em vigor a "punição" criada pelo Banco Central para as instituições que preferissem manter o dinheiro depositado no BC ao invés de comprar ativos e carteiras de crédito de bancos menores.
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Ao todo, as mudanças anunciadas pelo BC nos últimos dois meses já injetaram R$ 78 bilhões na economia. Quando o BC reduz o compulsório, os bancos podem colocar mais dinheiro na economia, o que ajuda a aumentar o crédito nesse momento de crise.
Dados divulgados nesta quarta-feira pelo BC mostram que o valor recolhido no compulsório caiu 28,7% em relação ao final de setembro. Na época, todos os recolhimentos compulsórios somavam R$ 272 bilhões. Com as mudanças anunciadas pelo governo, o valor caiu para R$ 193,9 bilhões.
Em relação aos depósitos a prazo (CDBs, por exemplo), os bancos são obrigados a recolher 15% do dinheiro aplicado pelos seus clientes. Antes, o recolhimento era feito todo em títulos públicos e os bancos ganhavam com a variação desses ativos.
Agora, apenas 30% do dinheiro fica depositado em títulos. Os outros 70% são recolhidos em espécie e ficam sem remuneração. Para escapar dessa "punição", os bancos podem liberar esse 70% por meio da compra de ativos de bancos de menor porte.
Modalidades
Com essa mudança, o dinheiro recolhido nos depósitos a prazo em títulos públicos caiu de R$ 60,5 bilhões em outubro para R$ 13,4 bilhões. Um dia antes do anúncio da alteração, estava em R$ 39,1 bilhões. A parcela desse dinheiro que ficou sem remuneração foi de R$ 10 bilhões.
Também houve redução em outras modalidades de compulsório. A exigibilidade adicional (que inclui depósitos a prazo, a vista e poupança) caiu de R$ 64 bilhões para R$ 41,8 bilhões.
Outra modalidade que foi flexibilizada pelo BC é o recolhimento sobre operações de leasing, que recuou de R$ 20,5 bilhões no final de setembro para R$ 14,7 bilhões. Nos depósitos à vista, caiu de R$ 55,6 bilhões para R$ 45 bilhões. Na poupança, os volumes recuaram de R$ 71,4 bilhões para R$ 68,9 bilhões.
Ao todo, as medidas do BC podem significar a liberação de mais de R$ 100 bilhões para injetar mais crédito na economia.
Muitas das mudanças anunciadas pelo BC dependem ainda dos próprios bancos, que só terão o desconto no compulsório depois de comprarem a carteira de bancos pequenos. Outras já foram anunciadas, mas ainda não tiveram efeito na economia.
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Especial


O que se pode ver ao longo dos anos em Dubai é o resultado da visão futurista da localidade que possui 2% das reservas de gás do bloco de sete países que formam o EAU (Emirados Árabes Unidos), diante a estimativa de que suas reservas de petróleo tendem a uma diminuição significativa, alcançando completo esgotamento num prazo de até duas décadas. Sua economia migrou daquela baseada no comércio e dependente do petróleo, para aquela baseada nos serviços e orientada para o turismo o que fez com que o setor imobiliário alcançasse um patamar extraordinariamente valioso e se tornasse "a menina dos olhos" de grandes investidores internacionais, mas que, em virtude da crise econômica mundial provocada pelos EUA, vem amargando recessão entre 2008 e 2009. Tomando-se como ponto de partida o ano de 2005, o PIB era de US$ 37 bilhões onde as receitas originadas do petróleo e gás natural representavam menos de 6%, em fevereiro de 2009 chegou a uma dívida externa estimada em aproximadamente 100 bilhões, o que equivale dizer que para cada um dos cerca de 250.000 cidadãos do emirado cabe 400 mil dólares em dívida externa.
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Os setores, imobiliário e de construção, comércio, entreposto aduaneiro e serviços financeiros, juntos, contribuem com algo em torno de 65% a 70% de sua economia. Para que se tenha uma idéia, para quem até meados do século passado não passava de um pequeno entreposto comercial, e devido a sua localização marítima, vivia da pesca e coleta de pérolas, até que se instalasse a crise mundial, com um território 2200 vezes menor que o do Brasil, recebia cerca de 6,5 milhões de turistas ao ano, com uma taxa de ocupação média dos hotéis em torno 85% enquanto que no Brasil, algo em torno 64%. Há de se notar que enquanto ao final do ano passado, no apogeu da crise, muito de falava no Capítulo 11 que trata da falência das empresas norte americanas, e que nos dias de hoje o FDIC (órgão que garante os depósitos bancários nos EUA) vem demonstrando preocupação com o crescente número de instituições financeiras problemáticas no país diante o fato de que em setembro deste ano, 552 bancos relataram dificuldades, espelhando um aumento de 33% sobre os 416 relatados no segundo trimestre, em Dubai passados cerca de 12 meses, fala-se de uma moratória por prazo de seis meses.
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A meu ver, Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank demonstra profundo conhecimento e bom senso quando diz que "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados". Devido ao seu perfil econômico é bastante natural que o emirado sentisse os reflexos da crise devido à falta de liquidez. Há um grande número de empresas de porte internacional do mundo todo operando em Dubai. Entre as intituições financeiras, por exemplo, encontram-se o Citi Bank que amargou perdas terríveis com a crise nos EUA e teve que ser socorrido pelo governo norte americano. Além dele, outros como o ABN-Amro Bank, Deutsche Bank AG, MGM Mirage, Royal Bank of Scotland Group plc, HSBC Holdings plc, etc
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