Dinheiro
19/11/2008 - 17h59

Fed diz que economia dos EUA ficará em recessão por até um ano

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da Folha Online

Atualizado às 18h29.

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) informou que a atividade econômica nos Estados Unidos continuará em recessão por até um ano, segundo as atas da última reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) publicadas nesta quarta-feira.

No final do mês passado, quando a autoridade monetária baixou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, até 1%, os presidentes do sistema do Fed indicaram que "esperam que a economia se contraia moderadamente na segunda metade de 2008 e na primeira de 2009".

Na ocasião, todos os dez membros do comitê do Fed votaram a favor deste corte. Na reunião também foi decidida a redução em 0,5 ponto percentual a taxa de redesconto (empréstimo de emergência de bancos), que agora é de 1,25% ao ano.

Quando decidiu pelo corte para 1%, o Fed já havia reduzido a taxa, em caráter emergencial, de 2% para 1,5%, em coordenação com outros BCs, para conter o avanço da crise financeira.

Segundo já divulgou o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o PIB (Produto Interno Bruto) do país encolheu 0,3% no terceiro trimestre. No segundo trimestre, o PIB havia subido 2,8%. Apesar de negativo, o número ficou acima das expectativas de analistas, que esperavam queda de 0,5%.

Essa foi a primeira retração no nível de atividade econômica do país desde a queda de 0,2% no quarto trimestre de 2007, e o pior resultado desde a baixa de 1,4% verificada no terceiro trimestre de 2001, quando os EUA sofreram uma aguda crise.

O PIB dos Estados Unidos deverá ficar entre -0,2% e 1,1% em 2009, segundo as novas previsões publicadas hoje. Em suas últimas previsões, que remontavam ao mês de julho, o Fed apostava em um crescimento de 2% a 2,8%. No entanto, a crise financeira se agravou muito desde então.

Para 2008, o Fed prevê agora um crescimento máximo de 0,3%. Sua projeção anterior era de 1% a 1,6%.

O Fed prevê que a taxa de desemprego, que atingiu em outubro seu nível mais alto dos 14 últimos anos com 6,5% da população ativa, será ainda mais alta em 2009, ficando entre 7,1% e 7,6%. Tal nível seria inédito desde setembro de 1992.

O crescimento de 2009 "deverá ser freado pela persistência de tensões nos mercados do crédito e pelos ajustes em andamento no setor do alojamento, assim como pela escassez do consumo das famílias e dos investimentos das empresas", segundo o relatório da reunião.

Os dirigentes do Fed disseram esperar "um crescimento econômico mais robusto, de 2,3% a 3,2%, em 2010".

Sobre a inflação, o Fed prevê níveis "próximos ou um pouco abaixo" do que considera "conforme o duplo objetivo de estabilidade dos preços e de emprego máximo" a partir de 2011. Para 2009, a instituição prevê uma inflação de 1,3% a 2%.

Recessão

O número sobre o PIB dos EUA no terceiro trimestre confirmou o que mercados e governos ao redor do mundo mais temiam --mas já esperavam: que a maior economia do planeta caminha para uma recessão, ou pelo menos uma forte desaceleração. Tecnicamente, um país entra em recessão após dois trimestres de PIB negativo.

Os indicadores econômicos dos EUA, divulgados desde então, só reforçam a percepção de que o país está a caminho da recessão. Hoje, segundo o Departamento de Trabalho, o indicador CPI, o índice de preços ao consumidor dos EUA, apontou deflação de 1% em outubro. Trata-se da maior queda para este indicador desde fevereiro de 1947. Em setembro, o mesmo índice havia ficado estável.

O chamado "núcleo" do índice, que exclui do cálculo geral os preços mais voláteis (energia e alimentos), mostrou uma variação negativa de 0,1%. Trata-se da primeira vez que o "núcleo" do CPI mostra deflação desde 1982. O "núcleo" é uma medida ainda mais influente que o índice "cheio" para a definição de expectativas sobre a economia.

Ontem, o índice de preços PPI (preços no atacado) reforçou as expectativas de que os EUA caiam em recessão ao registrar uma variação negativa de 2,8% em outubro, a pior deflação num mês desde 1947.

"Esses dados refletem claramente a contração no consumo", disse o economista Ian Shepherdson, da High Frequency Economics, à agência de notícias Associated Press. Ele destacou ainda o contraste do dado de hoje com os que foram vistos em meados deste ano, quando a gasolina atingiu a média de US$ 4,114 por galão (3,785 litros). Desde setembro, no entanto, a economia americana --e do mundo todo-- vem sentindo os abalos da crise financeira surgida após a quebra do banco Lehman Brothers, e cujas raízes estão no mercado de hipotecas "subprime" (de maior risco).

Nos 12 meses até outubro, os preços ao consumidor registram alta de 3,7%. O núcleo acumula 2,2% de aumento no mesmo período --acima, portanto, da margem de 1% a 2% considerada adequada pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano). Mesmo acima do adequado, o Fed tem encontrado espaço para reduzir sua taxa de juros, atualmente em 1%.

E hoje, o Departamento de Comércio informou que a atividade de construção de imóveis residenciais bateu recorde de baixa no mês de outubro, com um recuo de 4,5%.

Com Efe e France Presse

 

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