Dinheiro
20/11/2008 - 08h59

Venda de imóveis em São Paulo cai pela metade, aponta Secovi

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PAULO DE ARAUJO
colaboração para a Folha de S.Paulo

As vendas de imóveis residenciais novos na capital paulista caíram quase pela metade em setembro na comparação com igual mês de 2007, conforme pesquisa divulgada ontem pelo Secovi-SP (sindicato da habitação). No mês, foram vendidas 2.544 unidades, contra 4.789 em setembro do ano passado -decréscimo de 46,8%-, em um indicativo de desaceleração mais acentuada no setor.

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De acordo com o Secovi, trata-se da primeira queda desde fevereiro de 2007. A expectativa é que o quarto trimestre, mais fraco, reverta o ciclo de crescimento anual do setor observado desde 2004.

"O que vemos agora é que os bancos estão mais seletivos na concessão de financiamento, as empresas estão mais seletivas na definição de lançamentos, e os consumidores estão mais seletivos na hora de realizar a compra", afirma o presidente do Secovi-SP, João Crestana.

O Secovi estima que sejam vendidos entre 33 mil e 34 mil imóveis residenciais em São Paulo neste ano. Em 2007, foram 36 mil vendas efetivadas.

Análise do Banif Securities aponta para um cenário "preocupante" que terá impacto nos balanços das empresas nos próximos meses. No terceiro trimestre, construtoras já reportaram resultados negativos. No período, a Cyrela, por exemplo, registrou uma queda de 19,6% no lucro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Assim como ela, outras construtoras, como Abyara e a Agra, revisaram para baixo suas projeções de lançamentos para este ano, devido à maior dificuldade na obtenção de crédito e à queda na confiança do consumidor. Demissões e corte de custos também entraram na lista de medidas das empresas para enfrentar a crise.

Para este ano, são esperados 35 mil lançamentos na cidade, contra 39 mil em 2007. "Todos nós esperávamos que houvesse uma aterrissagem, mesmo porque parte da demanda foi atendida", afirma Crestana. Ele ressalta, porém, que ainda há um déficit habitacional de 8 milhões de unidades.

Segundo Crestana, o ano que vem deverá ser ainda mais fraco do que este em vendas. "A crise já terá se manifestado com mais força", diz.

 

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