"Nós temos bala na agulha", diz Mantega sobre linha de crédito do FMI
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que o Brasil não pretende utilizar as linhas de crédito disponibilizadas para o país pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pelo Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA).
Segundo ele, essas linhas servem apenas para afastar os riscos de especulação financeira em relação à moeda brasileira.
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"Não há nenhuma intenção do Brasil utilizar a linha de crédito que possui com o FMI", disse Mantega. "Não há intenção de sacar o dinheiro do Fed, só se houver necessidade. Eu não acredito que isso ocorra. É mais aquela conta que diz, olha, não venham fazer especulação aqui, porque nós temos bala na agulha."
O BC dos EUA disponibilizou para o Brasil uma linha crédito que envolve a troca de US$ 30 bilhões pelo equivalente em reais. O dinheiro, se utilizado, vai direto para as reservas internacionais, hoje em cerca de US$ 200 bilhões. A mesma linha, no mesmo valor, está disponível para vários outros países.
No caso do FMI, há uma linha de curto prazo de US$ 100 bilhões que pode ser utilizada por vários países, entre eles, o Brasil, criada a pedido do próprio governo brasileiro.
"Nós pedimos essa linha pensando em outros países, países com mais dificuldades que o Brasil. Muito dificilmente vamos a utilizar essa linha do FMI. Mas ela está à disposição", afirmou Mantega.
O ministro descartou sacar esse dinheiro para fortalecer o BNDES, que já recebeu nesse ano R$ 50 bilhões do Tesouro. O banco estatal de desenvolvimento também vai receber mais R$ 10 bilhões, já anunciados, sendo parte da Caixa e parte de novas liberações no compulsório. Outros R$ 5 bilhões serão repassados por meio de uma captação feita junto ao Banco Mundial. O dinheiro será destinado ao crédito empresarial.
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