Governo publica decreto que altera regras e permite fusão Oi/Brasil Telecom
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O governo publicou no "Diário Oficial" da União desta sexta-feira o decreto que aprova o novo PGO (Plano Geral de Outorgas). Com isso, fica permitido a partir de hoje que uma empresa de telefonia fixa compre outra em área diferente --o que, na prática, dá base legal para a compra da Brasil Telecom pela Oi.
Com as mudanças no plano, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) poderá agora começar a análise da fusão das duas empresas. Além da agência, a operação precisa do aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O contrato de compra da Brasil Telecom prevê o pagamento de uma multa de R$ 490 milhões se a operação não for aprovada até 21 de dezembro.
Ontem, o ministro Hélio Costa (Comunicações) defendeu que a Anatel imponha contrapartidas sociais para a aprovação da operação --como a obrigação de levar telefonia a áreas de fronteira e remotas. O texto do PGO publicado hoje prevê que, em caso de transferência de concessão ou controle, as empresas terão que observar "o princípio do maior benefício ao usuário e ao interesse social e econômico do País". O texto, porém, não explica como isso será feito.
O novo PGO permite que uma operadora compre outra em região diferente e obriga que ela atue na terceira área. Dessa forma, ao comprar a Brasil Telecom, a Oi terá que oferecer telefonia fixa em São Paulo.
Processo
No dia 12 de fevereiro, o Ministério das Comunicações mandou para a Anatel um documento pedindo a revisão do PGO. Isso foi feito depois de pedido da Abrafix (Associação Brasileira das Concessionárias do Serviço Telefônico Fixo).
No dia 16 de outubro, o conselho diretor da agência aprovou o PGO, que seguiu para o Ministério das Comunicações. Depois das modificações do ministério, o documento foi enviado então ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que assinou ontem o decreto publicado hoje.
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