Lula diz esperar fim de medidas protecionistas contra biocombustíveis
YGOR SALLES
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira esperar que a exportação de biocombustíveis deixe de ser barrada por medidas protecionistas. Segundo ele, os argumentos usados anteriormente para sobretaxar o álcool brasileiro já caíram por terra.
"Confiamos que a exportação de biocombustíveis não seja barrada por medidas protecionistas, escondidas atrás de algum argumento não-verdadeiro", disse Lula, no encerramento da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, na cidade de São Paulo.
Para ele, em vez de dar subsídios para produtores locais de álcool, os países desenvolvidos deveriam partir para parcerias com as nações capazes de produzir álcool através de cana de açúcar.
| Andre Penner/AP |
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"Não queremos que nossos colegas europeus transformem suas lavouras em produção de etanol [álcool], até mesmo porque não daria certo. Também não queremos que os Estados Unidos produzam etanol a partir do milho. Queremos que eles façam parcerias, especialmente com a África, para produção desse etanol".
Lula ainda lembrou que, no início do ano, o álcool brasileiro sofreu fortes críticas por, teoricamente, forçar a alta dos preços das commodities agrícolas. Mais tarde, especialistas culparam especuladores pelas oscilações bruscas dessas cotações. "A resposta mais simples para alta era o Brasil, por causa da produção de etanol. E Vimos que não era verdade", afirmou.
Sobre a produção de álcool em países em desenvolvimento, Lula ressaltou que o Brasil está buscando transferir a tecnologia de produção para também se tornar um exportador do produto.
"O Brasil está disposto a fazer a transferência do que conhecemos, inclusive abrimos uma unidade da Embrapa em Gana para conseguirmos a mesma proeza que tivemos no Cerrado", afirmou.
Além de biocombustíveis, Lula também quer que os países ricos continuem comprando alimentos dos países em desenvolvimento, bem como "arrumar sua própria economia" para amenizar os efeitos da crise financeira.
Serra
Antes do discurso do presidente, o governador de São Paulo, José Serra também fez críticas, ainda mais contundentes, contra os subsídios dos países desenvolvidos aos produtores de álcool.
"O protecionismo desestimula a produção de álcool. Não exatamente no Brasil, mas em outros países", disse.
"A barreira dos Estados Unidos vai além da tarifa de US$ 0,14 por litro. Existe também o subsídio aos produtores que, se somados, resultam em mais US$ 0,30 por litro, que é o quanto gastamos para produzir. Portanto, sofremos uma tarifa de 100%", afirmou.
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