Lula lamenta "mal-estar" com Equador após impasse com BNDES
da Efe
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou ao colega equatoriano, o presidente Rafael Correa, o "mal-estar" envolvendo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e os dois países.
Segundo fontes oficiais, Lula teria telefonado neste sábado para Correa e dito estar "surpreso" com o fato de o vizinho ter entrado com uma ação internacional para suspender o pagamento da dívida de US$ 243 milhões contraída com o BNDES para a construção no país da usina hidrelétrica San Francisco.
Nesta sexta-feira (21), o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou que convocou o embaixador brasileiro no Equador para estudar medidas a serem tomadas em relação ao anúncio. A convocação foi vista como um duro recado diplomático ao governo de Correa.
Durante o telefonema, o presidente do Equador teria lamentado a decisão do governo brasileiro, mas garantiu que o país não mudará de posição, segundo porta-vozes.
A conversa entre os presidentes foi breve, e nem Lula nem Correa se mostraram dispostos a ceder.
O presidente brasileiro também lamentou em sua conversa com Correa que "todas as decisões" do Equador tenham sido anunciadas à imprensa, sem que tenha havido consulta prévia às autoridades brasileiras, informaram fontes oficiais.
Odebrecht
As relações entre o Equador e o Brasil estão estremecidas desde que o presidente Rafael Correa decidiu expulsar do país a construtora Odebrecht, acusada falhas na construção da hidroelétrica San Francisco.
Correa assinou um decreto retirando o visto de funcionários da construtora Odebrecht e, na prática, expulsando-os do país. No mesmo decreto, Correa revogou ainda os vistos de cinco funcionários da também brasileira Companhia Furnas Centrais Elétricas.
A Furnas estava encarregada de fiscalizar a reparação da central hidrelétrica San Francisco construída pela Odebrecht.
O governo brasileiro chegou a adiar uma missão ao país vizinho que estava agendada para o mês passado, em reação à decisão do Equador de expulsar a Odebrecht. Na ocasião, a ministra equatoriana María Isabel Salvador chegou a admitir abalos na relação com o Brasil.
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