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Dinheiro
26/11/2008 - 17h53

Queda de juros pode não ser remédio para Brasil neste momento, diz Meirelles

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira que a crise econômica é um "desarranjo" no organismo, mas que a queda dos juros pode não ser o remédio adequado para o Brasil nesse momento.

O presidente do BC lembrou a questão da inflação no país, cujas previsões estão acima da meta para 2008 e 2009. "Já sabemos historicamente que não devemos esquecer a inflação. A inflação não é uma forma de crescer rápido."

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Durante audiência na Comissão Mista de Planos e Orçamento do Congresso, o presidente do BC foi cobrado pelos parlamentares, que pediram uma redução dos juros no país. Hoje, a taxa Selic está em 13,75% ao ano.

O presidente do BC afirmou que não iria adiantar a decisão do BC que será tomada no início de dezembro, na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC). Mas disse que o Brasil não pode sair tomando os "mesmos remédios" que os vizinhos, sem avaliar melhor o "diagnóstico" dos problemas da economia brasileira.

"Com a crise, há um desarranjo, como se fosse uma anomalia do organismo", afirmou. "Temos de fazer o diagnóstico mais preciso possível e evitar atitudes de pânico."

Meirelles disse que os bancos centrais dos EUA e Europa estão certos em reduzir as taxas de juros, já que esses países estão em recessão e a expectativa é de uma deflação, mas disse que o caso do Brasil é diferente.

"O Copom estará levando em conta todos os fatores econômicos de forma a tomar a melhor decisão para a sustentabilidade do crescimento da economia brasileira."

Questionado sobre os juros altos para o consumidor, que bateram recorde no início de novembro, segundo o próprio BC, Meirelles jogou a responsabilidade para os bancos públicos. Ele afirmou que essas instituições já foram cobradas pelo presidente Lula para reduzir suas taxas. Hoje, o Banco do Brasil anunciou a redução de algumas taxas.

"A ação dos bancos públicos é fundamental. Eles têm condições de influenciar bastante o mercado na formação de taxas e na oferta de crédito", afirmou.

 

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