Liminar atrasa construção de Jirau; usina dificilmente fica pronta em 2012, diz Aneel
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Jerson Kelman, disse nesta quinta-feira que dificilmente a usina de Jirau, no rio Madeira (RO) ficará pronta em 2012, prazo esperado pela empresa responsável pela construção da usina.
De acordo com Kelman, a liminar que suspende a licença de instalação para o canteiro de obras da usina fará com que a Enersus (Energia Sustentável do Brasil) perca o período seco, o que atrasaria o início das obras até o meio do primeiro semestre de 2009.
"A liminar impede a usina de aproveitar a janela hidrológica. É muito difícil que ela consiga produzir a energia em 2012", afirmou, durante seminário sobre infra-estrutura no Senado.
Kelman disse que, por conta do atraso, a Aneel terá que fazer no ano que vem um leilão para contratar energia a curto prazo.
"É muito razoável que será uma usina a óleo", disse, lembrando que essas usinas são mais caras e mais poluentes.
Prejuízo para o Brasil
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) reconheceu que o que Kelman disse é correto, mas disse que ainda é possível resolver a questão judicial e manter o prazo de 2012.
"Estou na convicção de que poderemos ter essas usinas funcionando no prazo deliberado. Nós esperamos que essa dificuldade desapareça. Se não pudermos ter Jirau funcionando em 2012 haverá um grande prejuízo para o Brasil", afirmou.
Segundo o ministro, a construção de usinas térmicas onerará o consumidor em até R$ 4 bilhões extras. Ele criticou o fato de ecologistas recorrerem à Justiça contra hidrelétricas, fazendo com que mais térmicas sejam construídas.
"Os ecologistas poderiam dar uma trégua ao governo e ao povo brasileiro no que diz respeito à construção dessas hidrelétricas, até porque teríamos que recorrer às térmicas, essas sim poluidoras", completou.
Na semana passada, o Ibama concedeu uma licença preliminar para a construção do canteiro de obras de Jirau. A Justiça Federal de Rondônia, porém, suspendeu a licença. A liminar atendeu a ação popular interposta pela Fboms (Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento) questionando a mudança no local de construção da usina, proposta pela empresa.
Leia mais
- Aneel afirma que leilões para o setor elétrico são mantidos, apesar de liminares
- EPE espera que liminar que suspende licença de Jirau seja derrubada
- Quase uma semana depois do anúncio, Ibama publica licença para Jirau
Especial
- Leia o que já foi publicado sobre a usina do Jirau
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria


