Senado quer explicações de BC, Petrobras e bancos públicos sobre empréstimos
da Folha Online
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta quinta-feira a convocação dos presidentes da Petrobras, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do Banco Central para discutir a situação financeira da estatal petrolífera. Os senadores querem explicações sobre o empréstimo da Caixa à Petrobras no valor de R$ 2,02 bilhões em outubro deste ano.
A audiência pública foi solicitada pelos senadores tucanos Arthur Virgílio (AM) e Tasso Jereissati (CE). Em discurso em Plenário na quarta-feira (26), Jereissati considerou a operação atípica, tendo em vista que a Caixa Econômica Federal "deveria cuidar de saneamento e habitação".
Para o senador, o empréstimo junto ao banco estatal estaria indicando dificuldades da Petrobras em obter financiamentos nos bancos privados. Ao apresentar o requerimento à CAE, Arthur Virgílio também manifestou estranheza quanto à operação financeira.
"Precisamos esclarecer as razões pelas quais a Petrobras não vai à banca privada, como seria o normal, e recorre a um banco público que não tem autoridade para efetuar esse tipo de empréstimo", disse.
Ao encaminhar a votação do requerimento, o presidente da CAE, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), disse já ter recebido do presidente da Petrobras a informação de que a empresa divulgaria nota técnica explicando a operação e fundamentando os argumentos para a realização do financiamento.
| Marcello Casal Jr./ABr |
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| No Rio, Dilma Rousseff disse que todo banco sonha em emprestar para a Petrobras |
Em nota, a Petrobras informou que a contratação teve o objetivo de "reforçar o capital de giro" da companhia.
"Em outubro, a Companhia teve maiores gastos com impostos e taxas, com o recolhimento de mais de R$ 11,4 bilhões no mês. Parte desses pagamento refere-se ao IR (Imposto de Renda) e ao CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), devido ao maior lucro líquido apurado no terceiro trimestre de 2008 e participações especiais calculadas com base no valor de pico do preço do petróleo", explicou a empresa em comunicado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
A operação foi feita no mercado bancário nacional, segundo a estatal, "em virtude das condições atuais do mercado financeiro internacional e a solidez do sistema financeiro nacional". "Além disso, a evolução do câmbio propicia melhores condições para captações no mercado interno, diminuindo a exposição da empresa a dívidas em dólar", explicou.
No Rio, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou hoje que a Petrobras esteja descapitalizada. Ela também considerou normal a operação de empréstimo junto à CEF, justificando que a estatal tinha um problema imediato de caixa para pagar impostos, o que foi resolvido.
Já o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse, em Brasília hoje, que o empréstimo junto à Caixa Econômica Federal não é grave, e que a Petrobras faz operações desse tipo com regularidade.
"Isso não é grave em nenhuma empresa, isso já se fez tantas vezes, está apenas repetindo o que sempre fez. Esses empréstimos têm sido feito com regularidade tanto no Brasil como no exterior, não há novidade", afirmou.
Com agência Senado
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