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Dinheiro
30/11/2008 - 11h49

Bancos esperam fusões para sobreviver diante da crise financeira

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FERNANDO CANZIAN
da Folha de S.Paulo

Os maiores bancos do mundo esperam sofrer nos próximos anos um forte processo de enxugamento e fusões entre si para sobreviver à atual crise.

Segundo o documento do IIF IIF (Instituto de Finanças Internacionais, na sigla em inglês), a situação do sistema financeiro nos EUA e nos países europeus é comparável hoje à do Japão entre 1990 e 2005.

"O sistema financeiro em vários países deverá sofrer a mesma consolidação e encolhimento ocorrido em um período de quase 15 anos de estresse econômico no Japão."

Entre os principais indicadores do trabalho para sustentar as previsões amplamente negativas de crescimento figura o preço dos fretes cobrados em uma das áreas mais movimentadas do mundo em termos de transportes de carga.

Na região do mar Báltico, que banha Alemanha, Rússia, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega, Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia, os preços dos fretes em 2008 caíram de um pico de mais de oito anos para um patamar próximo ao nível mais baixo de toda a medição, iniciada em 1985.

"Em termos de volume, a queda no comércio mundial ainda vai levar mais um tempo, mas ela já é evidente entre os países asiáticos. Nos EUA, essa situação deve enfraquecer as exportações, uma das poucas áreas que ainda vinham brilhando para os produtores norte-americanos", diz o IIF.

A única boa notícia no atual cenário internacional, mas que deriva de uma série de maus resultados, é que a inflação vem dando trégua nas principais regiões do mundo.

Entre os países da zona do euro, por exemplo, a inflação anualizada caiu para o seu nível mais baixo em quase duas décadas, ao atingir 2,1% neste mês.

O recuo abre espaço para um novo corte da taxa básica de juros pelo BCE (o banco central europeu). A expectativa é que o BCE corte os juros em até 0,75 ponto percentual (para 2,5% ao ano) em sua próxima reunião, nesta quinta-feira.

Na Europa, a Alemanha já está em recessão, a primeira no país em cinco anos.

Nos EUA, o juro básico está em 1% ao ano e, apesar de vários pacotes bilionários para tentar aumentar a oferta de crédito no mercado, os bancos locais continuam limitando fortemente a oferta de dinheiro a empresas e consumidores.

A expectativa nos EUA é de mais um corte de 0,5 ponto percentual nos juros em dezembro, e que a taxa básica permaneça em 0,5% (ou em zero) ao longo de 2009 inteiro.

Em outubro, os pedidos das lojas por bens e mercadorias de maior valor despencaram 6,2%. As projeções para novembro e dezembro são agora de quedas superiores a 9%.

Já o desemprego nos EUA, que saltou de 6,2% para 6,5% entre setembro e outubro, poderá atingir entre 8,5% e 9% até o fim do ano que vem, segundo as estimativas de vários bancos e consultorias.

Mas, mesmo com a inflação e o consumo em queda, alguns países estão sendo obrigados a ir na contramão de políticas para incentivar suas economias.

A Rússia, por exemplo, acaba de elevar de 12% para 13% os juros internos para tentar atrair dólares para dentro do país e conter a desvalorização do rublo. A moeda russa perdeu 16% do valor desde agosto.

 

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