Fazenda trava com BC disputa sobre juro ao consumidor
da Folha Online
O Ministério da Fazenda e o Banco Central têm travado uma disputa de bastidores por causa da decisão do governo de tentar forçar os bancos a reduzir o "spread" embutido no custo dos empréstimos, segundo reportagem, de Kennedy Alencar e Sheila D'Amorim na edição desta segunda-feira da Folha de S.Paulo (apenas para assinantes).
Na prática, o que o governo quer com isso é evitar a alta das taxas cobradas dos consumidores, pois o "spread" é quanto o banco cobra a mais para repassar o dinheiro aos seus clientes. Nele estão incluídos desde impostos e risco de inadimplência à margem de lucro esperada.
Com a crise financeira internacional, os juros nessas operações têm subido, o que reforça ainda mais a retração no mercado de crédito. E isso terá efeito negativo sobre o crescimento da economia em 2009.
Para a Fazenda, uma queda no "spread" depende de redução na Selic, a taxa de juros fixada pelo BC em 13,75% ao ano e que serve de referência para as instituições financeiras definirem o custo dos financiamentos. Isso porque o risco de inadimplência subiu e, no mundo todo, os governos estão diminuindo juros para estimular a economia. Para o BC, não depende de diminuição da Selic.
O presidente Lula vem acompanhando essa queda-de-braço. Lula já cobrou do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal que dessem o exemplo e liderassem um movimento pela redução do "spread".
Os bancos estatais obedeceram, mas alertaram a Fazenda sobre o risco de perda de rentabilidade na comparação com instituições privadas, o que poderia afetar suas contas. A Fazenda endossou a posição dos bancos públicos e a transmitiu a Lula.
O presidente do BC, Henrique Meirelles, foi quem convenceu Lula a dar um aperto nos bancos oficiais em relação ao "spread'. A estratégia permite ao BC ganhar tempo num momento em que crescem as pressões por cortes da Selic. No próprio Copom, o comitê do BC que define os juros, há divergências sobre o momento de eventual redução. Motivo: considera-se que o impacto na inflação do agravamento da crise mundial ainda não estaria suficientemente claro.
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