Venda de automóveis cai 26% em novembro com crise de crédito
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
A indústria automotiva registrou o segundo mês no vermelho neste segundo semestre com queda expressiva nas vendas de novembro, segundo dados antecipados pela Folha Online. No mercado interno, as vendas despencaram mais de 26% no segundo mês de números negativos com a crise de crédito.
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| Caio Guatelli/Folha Imagem |
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| Montadoras empregam mais de 113 mil no país e sentem impacto da falta de crédito |
Em novembro, a indústria registrou vendas de 166.297 automóveis e comerciais leves, queda de 21,55% em relação aos 211.948 unidades vendidas em outubro deste ano. Na comparação com novembro do ano passado, quando foram comercializados 225.756, o quadro é ainda mais grave. Os licenciamentos apontam queda de 26,35%.
A Fiat continua na liderança do mercado com a venda de 40.771 automóveis e comerciais leves em novembro (24,5% de participação), seguida de perto pela Volkswagen, que vendeu 37.395 (22,5%). A General Motors foi uma das que mais perdeu mercado e aparece em terceiro com 29.706 (17,9%) e, a Ford, em quarto, com 15.945 unidades (9,6%).
Embora o setor esperasse uma desaceleração neste segundo semestre, depois de fortes altas registradas desde meados de 2007, a crise no crédito acabou por impactar a indústria.
As férias coletivas e folgas anunciadas pelas montadoras para novembro e dezembro atingem pelo menos 47 mil funcionários em todo o Brasil. Esse número equivale a 41,6% da força de trabalho do setor, que conta com 113 mil empregados (incluindo fábricas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) no país.
2008
De janeiro a novembro, as montadoras registram venda de 2,486 milhões de automóveis e comerciais leves. Com o bom desempenho do primeiro semestre, o resultado no acumulado deste ano ainda está acima do registrado no mesmo período de 2007, quando foram vendidos 2,109 milhões, alta de 17,87%.
Com o fraco resultado de novembro, a indústria dificilmente atingirá o seu objetivo para o ano, de vendas internas de 3 milhões (incluindo ônibus e caminhões), o que representaria uma alta de 24,2% sobre 2007). Para isso, ela teria de vender mais de 400 mil veículos em dezembro.
Crédito
A queda na venda de veículos, que vinha puxando o crédito e a geração de empregos há mais de um ano, é uma dos principais preocupações do governo. A indústria automotiva sofre em todo o mundo com a crise financeira internacional.
Em outubro, a Anfavea (associação das montadoras) atribuiu a queda de veículos à falta de crédito e afirmou que em novembro já deveria ter início uma normalização.
O governo anunciou no início de novembro a liberação de R$ 4 bilhões do Banco do Brasil para os bancos das montadoras, para irrigar o crédito do setor.
Na mesma seguinte, a Nossa Caixa, por determinação do governo do Estado de São Paulo, também liberou R$ 4 bilhões com o mesmo objetivo.
Nesta segunda-feira, na Fiesp (Federação das Indústria do Estado de São Paulo), o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que a queda na venda de automóveis é observada de perto pelo governo e que não deixará "a peteca cair" neste setor.
Segundo ele, o setor representa 24% do PIB nacional.
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