Dinheiro
01/12/2008 - 21h15

Dados econômicos e recessão nos EUA derrubam mercados

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da Folha Online

As Bolsas de Valores despencaram nesta segunda-feira em Wall Street e no Brasil, após a confirmação que a economia dos Estados Unidos entrou em recessão em dezembro do ano passado, segundo o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (Nber, em inglês). A notícia foi amparada --e deu força ao pessimismo dos investidores-- pelos dados negativos da atividade manufatureira e de construção norte-americana divulgados hoje.

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A Bolsa de Nova York interrompeu uma seqüência de cinco sessões em alta e fechou em queda de 7,7% para o índice Dow Jones Industrial Average (DJIA). O Nasdaq cedeu ainda mais: 8,95%, para 1.398,07 pontos, e o índice ampliado Standard & Poor's 500 caiu 8,93%, a 816,21 pontos.

No Brasil, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) cedeu 5,07% no fechamento do Ibovespa, termômetro dos negócios, aos 34.740 pontos. O giro financeiro continuou a mostrar o nível alta de aversão ao risco predominante no mercado, com volume de apenas R$ 2,73 bilhões.

O dólar comercial foi cotado a R$ 2,320 na venda, o que representa um avanço de 0,21% sobre a cotação de sexta-feira. A taxa de risco-país marca 528 pontos, número 3,73% acima da pontuação anterior.

No mercado doméstico, as negociações foram afetadas pela um pessimismo maior sobre a economia brasileira --após o novo rebaixamento da previsão do PIB (Produto Interno Bruto) no boletim Focus, do Banco Central-- e pelo contágio dos efeitos da confirmação oficial sobre a recessão nos EUA.

O Nber, entidade encarregada de fixar uma data para o início e o fim das contrações econômicas, concluiu que os Estados Unidos entraram em recessão em dezembro de 2007. "O comitê determinou que a diminuição na atividade econômica em 2008 cumpre a norma para uma recessão", ressaltou o grupo.

Neste ano, os EUA não tiveram dois trimestres sucessivos de contração econômica, que é o parâmetro usual para dizer que o país está em recessão, mas o NBER afirmou que a piora do emprego e os dados ambíguos sobre a produção justificam a decisão.

Nos primeiros nove meses do ano foram perdidos 1,2 milhão de postos de trabalho nos Estados Unidos e esse número poderia aumentar em mais de 300 mil na sexta-feira, quando serão divulgados os dados de emprego de novembro.

O Nber, composto por economistas independentes de prestígio, descreve uma recessão como um período no qual o crescimento econômico perde força, os negócios deixam de crescer, o emprego cai, o desemprego aumenta e diminuem os preços dos imóveis.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, tentou amenizar a notícia negativa e informou que o governo cogita lançar novas medidas para estabilizar os mercados, injetar liquidez e reduzir os despejos de inquilinos.

"Quando estes programas estiverem prontos para serem aplicados, trataremos deles com o Congresso e a próxima Administração", disse Paulson em discurso em Washington.

Juros

Já o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, afirmou que é "factível" aplicar novos cortes na taxa de juros, apesar de esta ser de 1% atualmente. Com a declaração, Bernanke deu a entender que o BC seguirá esse caminho em sua próxima reunião, dentro de duas semanas. A maioria dos analistas prevê um corte de 0,5% na taxa básica dos Estados Unidos.

Os democratas receberam a avaliação do Nber como outro argumento a favor de um novo plano de estímulo orçamentário. O anúncio "não é uma novidade para as famílias americanas", disse em comunicado Harry Reid, líder dos democratas no Senado, que pediu um pacote fiscal para estimular a criação de emprego e uma redução de impostos para a classe média.

A administração de George W. Bush rejeita a proposta democrata, a qual ficará na mesa do presidente eleito, Barack Obama, em 20 de janeiro, quando assumirá o cargo.

Pesadelo

Em uma entrevista à rede de televisão ABC, que será exibida hoje, Bush disse "lamentar" a crise e afirmou "quando a história deste período for escrita, as pessoas se darão conta de que muitas das decisões tomadas em Wall Street foram adotadas ao longo de uma década". Bush está há oito anos no governo.

Os dados econômicos estão transformando em pesadelo a saída de Bush da Casa Branca. Em novembro, a produção de manufaturas registrou contração pelo quarto mês consecutivo e se situou no menor nível dos últimos 26 anos, segundo dados do ISM (Instituto de Gestão de Fornecimento) divulgados hoje.

Além disso, o gasto em construção caiu 1,2% em outubro, mais que o previsto, informou também hoje o Departamento de Comércio. Diante desses dados, a recessão que agora é oficial não dá sinais de trégua.

Com César Muñoz Acebes, da EFE

Comentários dos leitores
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Marcelo, concordo também com vc. Mas qdo pensamos em paises ricos, nos vem à mente normalmente USA e Zona do Euro.
Veja o que aconteceu hj com Dubai. Há outros vários.
Também acho que a palavra "quebrar"é muito forte, e de fato não deve acontecer. Aliás quem alertou sobre isso hj foi a OMC.
Tudo isso reforça o que venho escrevendo por aqui há algum tempo...tem muita gente eufórica, achando que tá tudo índo bem, que 2010 vai ser uma beleza e ao meu ver não vai ser não. Esse estória de o Brasil se achar uma ilha de prosperidade enquanto o mundo ainda estremeçe é muita arrogancia e merece cuidados extremos.
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Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Quem lê a FSP, em especial, sempre acredita que o Brasil está a véspera de quebrar, como na época do FHC (PSDB). Mas o país continua crescendo cada vêz mais e distribuindo riqueza.
Quando ao fundo de Dubai, só deslumbrado gosta daquele pedaço de deserto com uma torre espetada.
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É aí que mora o perigo! Esses ricos do petróleo, fonte que começa a "secar", não só pelo seu esgotamento em sí, mas pela urgente necessidade de mudança da matriz energética, hoje e sempre, a maior vilã contra a natureza. Esses povos, acostumaram-se a nadar nababescamente no óleo negro, que se transformou em ouro, mais pelos seus marajás das mil e uma noites, pensando que certamente isso duraria eternamente, como os seus reinados. Mas, nada é para sempre e quando começar a ruir, "sai de perto", como diz o refrão popular e esteja a mil e uma noites de distância, porque nem Alá, Maomé ou aiatolá, desatolará.
Abençoado é aquí, onde fura-se um poço e encontra-se água. Nem ouro,nem diamante, nem urânio, nem nada, nada vale. Água e oxigênio, ainda temos as maiores riquezas. De quê reclamar!
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