Dinheiro
02/12/2008 - 14h12

Mantega diz que desaceleração da economia já era prevista e será lenta

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a queda de 1,7% na produção industrial divulgada nesta terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) reflete uma desaceleração da economia brasileira que já era esperada para o último trimestre do ano.

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Mantega afirmou também que não acredita em um crescimento de 2,8% para o país em 2009, conforme previsto pelos economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus. A previsão do governo continua em 4%.

"Nós tivemos um bom desempenho da economia até setembro deste ano. A partir de outubro, a crise financeira internacional trouxe alguns problemas para o Brasil. É natural que nos meses de outubro, novembro e dezembro haja uma desaceleração da economia", afirmou Mantega.

O ministro disse também que a situação no Brasil é diferente da registrada nos EUA, que devem entrar em recessão.

"Essa desaceleração era prevista, eu mesmo já tinha falado, porém, será uma desaceleração lenta. Não há uma desaceleração brusca, como ocorre nos EUA, que vão entrar em recessão."

Mantega manteve o otimismo até mesmo ao comentar as notícias sobre a recessão nos EUA. Ontem, o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (Nber, em inglês) afirmou que o país entrou em recessão em dezembro do ano passado. O ministro afirmou que a definição dada pelo grupo composto por economistas independentes de prestígio está "equivocada".

"[Os EUA] não estão em recessão, é um equívoco. Quem diz que está em recessão se equivocou. A recessão é quando você tem dois trimestres consecutivos com o PIB negativo. Eles só têm um trimestre", afirmou Mantega.

Apesar dos EUA não terem registrado dois trimestres sucessivos de contração econômica (definição usual para recessão), os economistas do Nber afirmaram que a piora do emprego e os dados sobre a produção justificam a decisão.

Perdão da dívida

O ministro esteve reunido hoje com os líderes dos partidos aliados e da oposição no Senado para falar sobre o projeto de perdão das dívidas com a União. O projeto perdoa as dívidas de até R$ 10 mil contraídas até 2003 e permite o parcelamento dos débitos no mesmo valor com data posterior a essa, para empresas e pessoas físicas.

Segundo Mantega, a proposta será publicada amanhã ou depois no Diário Oficial e inclui uma medida provisória, três projetos de lei e um projeto de lei complementar.

Além da MP referente à dívida, haverá projetos que tratam da nova gestão da dívida ativa brasileira. A proposta simplifica e cria facilidades para quem tem problemas de dívidas e multas com a União.

"O cidadão que tem uma empresa com CPF registrado e não opera esse CPF há mais de cinco anos, por exemplo, nós vamos simplesmente cancelar esse CPF que traz problemas para o empreendedor e gera multas."

Mantega também falou sobre a proposta do governo de Reforma Tributária, que está parada na Câmara. O ministro evitou fixar uma data limite para a votação e disse apenas que espera que ela seja aprovada em breve.

"O governo quer que a Reforma Tributária seja votada logo. É um desejo de todos que se faça uma reforma", afirmou.

Comentários dos leitores
Guilherme Lemmi (225) 23/11/2009 14h48
Guilherme Lemmi (225) 23/11/2009 14h48
Sobre a reportagem "Livre mercado é melhor modelo econômico apesar da crise, dizem bilionários", interessante, a Folha deveria perguntar para o 1 bilhao de pessoas que passam fome no mundo, se eles concordam com essa opinião.
Ah, esqueci, essas pessoas só passam fome porque nao tiveram a 'tenacidade' para vencer na vida....
sem opinião
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JOSE MOTTA (48) 23/11/2009 13h53
JOSE MOTTA (48) 23/11/2009 13h53
ISSO É PRIMEIRO MUNDO. POVO POLITIZADO,MAS PERIMERISSIMO MUINDO SÃO ALGUS PAISES EUROPEUS E CANADÁ. ESTAMOS LONGE DE CHEGAR LÁ. sem opinião
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Eduardo Giorgini (419) 23/11/2009 10h16
Eduardo Giorgini (419) 23/11/2009 10h16
Bom dia!
Bem, essa forma de analise discordo. O que Obama fez em relação à crise foi a única opção e não devido a possíveis competências.
Isso acontece no Brasil tambem. Dizem que foi Lula que salvou o Brasil da crise, mas o que ele fez foi nada além de manter a inércia da política brasileira e com um pouco de sorte, deu certo de a crise não pegar tão forte.
Só que ao contrário do Brasil, o eleitorado Norte Americano exige mais, ainda mais depois do desastre de Bush.
Um presidente so quebra um país de for um ditador, caso contrário, setores da sociedade ajudam na tomada de decisões e o setor privado segura as pontas (que é o que acontece nos Estados Unidos e tambem no Brasil)
Inclusive hoje, um presidente não "pesa" tanto na condução de uma boa política de governo.
[]s
Eduardo.
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