Depois dos cortes de Vale e Votorantim, governo estuda medidas antidesemprego
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O governo estuda adotar medidas para conter o desemprego depois do anúncio pelas gigantes industriais Vale do Rio Doce e Votorantim da demissão e das férias coletivas de funcionários em conseqüência da crise econômica.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse nesta quinta-feira que o governo tem os "instrumentos" para impedir o aumento do desemprego, mas faz uma avaliação da crise antes de anunciar que medidas serão adotadas.
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"Hoje o governo tem os instrumentos para diminuir a quantidade de desemprego. Isso é uma das questões centrais para o governo, não deixar uma queda do emprego comprometer tudo que conquistamos até agora", afirmou.
Sem adiantar as medidas que poderão ser anunciadas pelo governo para conter o desemprego, Dilma afirmou que a geração de empregos é conseqüência do crescimento econômico. "São várias medidas. Ninguém mantém emprego de forma artificial, você mantém se você manter a economia crescendo."
A ministra afirmou, porém, que as medidas vão depender de "variáveis econômicas" e não penas de negociações com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo a ministra, o governo está "atento à situação da produção e do emprego", além de avaliar os impactos da crise que poderão gerar o anúncio de novas medidas pelo governo.
"O governo tem conversado com os empresários no sentido de manter a produção e o crédito, agora tem que destravar a questão do crédito para poder de fato ter uma conversa nesse nível com os empresários", afirmou.
Na opinião de Dilma, o caminho para evitar o desemprego passa pelos investimentos realizados pelo setor empresarial. "Eu acho que é possível colocar essa questão para as empresas, mas no momento de queda da produção é muito difícil você manter a decisão de investir, [mas] há que manter a decisão de investir para manter emprego", afirmou.
Dilma minimizou a demissão de 1.300 funcionários da Vale em todo o mundo, sendo 20% em Minas Gerais. Outros 5.500 entram em férias coletivas escalonadas --80% em Minas-- e 1.200 estão em treinamento para serem realocados dentro da companhia.
"A Vale, pelo que eu saiba, anunciou 1.300 demissões fora do Brasil. No Brasil, a informação que nós temos é em número menor, a grande demissão dela é no exterior, não tenho idéia direito de qual é o valor, mas a Vale nos informou que o volume básico da demissão é no exterior, nós vamos tomar todas as medidas para evitar ao máximo desemprego", afirmou.
Inflação
A ministra disse acreditar que o Brasil vai sair de um "período de pressão de preços derivada do câmbio para uma estabilização dos preços", por isso acredita que "dificilmente" o momento seja de inflação.
"O mundo inteiro está caminhando para uma redução de preços, nós caminharemos também. Agora no Brasil temos condições melhores, há esse impacto inicial, essa grande freada de outubro e novembro, e todo o trabalho do governo é garantir que haja uma continuidade do investimento que nós possamos crescer 3,5%, 4% no ano que vem. O momento decisivo vai ser o final deste ano e o primeiro trimestre do ano que vem", afirmou.
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