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Dinheiro
04/12/2008 - 13h47

Inflação da baixa renda será recorde em 2008, diz FGV

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A inflação para os consumidores de baixa renda fechará o ano no maior nível observado desde o início da pesquisa feita pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), em 2004. Nos últimos 12 meses acumulados até novembro, o IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1) tem alta de 8,04%. Em novembro de 2007, a taxa acumulada em 12 meses chegava a 5,87%.

Para o economista da FGV, André Braz, a taxa provavelmente será recorde, impulsionada pela alta dos alimentos no primeiro semestre do ano. Os alimentos exercem a principal influência sobre o índice. Entre as famílias com renda entre 1 e 2,5 salários-mínimos, investigadas na pesquisa, os alimentos são responsáveis por 40% do orçamento. Nas demais classes, a média não passa de 28%.

Narendra Shrestha /Efe
Alimentos pressionam menos, mas cesta básica sobe em 11 de 17 capitais
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A maior influência dos alimentos sobre a inflação explica o fato de a taxa acumulada nos últimos 12 meses, para a baixa renda, estar acima dos 6,27% observados no IPC-BR, que engloba todas as classes.

"Entre 2004 e 2006, a participação dos alimentos na inflação foi decrescente. Nos últimos dois anos, tiveram grande destaque e exerceram grande influência", afirmou Braz.

O economista considera que esse quadro poderá mudar no ano que vem, diante da menor pressão das commodities agrícolas e da perspectiva da desaceleração da economia brasileira.

"Com a possibilidade de haver mais desempregados, o repasse das pressões fica mais difícil", observou.

No mês

Em novembro, o IPC-C1 teve alta de 0,38%, desacelerando frente aos 0,66% constatados em outubro. O resultado foi influenciado de forma decisiva pela desaceleração dos alimentos, cuja alta ficou em 0,60%, ante 1,01% observados em outubro. Com contribuição 0,17 p.p. (ponto percentual) menor em relação a outubro, os alimentos foram responsáveis por 60% da desaceleração do índice em novembro.

Os principais produtos da mesa do brasileiro desaceleraram em novembro. O arroz teve queda de 0,60%, depois de alta de 2,23% em outubro; o preço do feijão para a baixa renda caiu 12,51%, após alta de 2,81% no mês anterior; já as carnes bovinas aumentaram 1,83%, ante alta de 4,10% em novembro.

Raquel Guedes/Folha Imagem
Supermercados ignoram crise e esperam vendas 14% maiores no Natal - 27/11/2008
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"Esse trio tem extremo peso sobre o índice, e a desaceleração deles ajuda a explicar o recuo dos alimentos. Eles são responsáveis por 17% do total dos alimentos e por 7,11% do IPC-C1", completou Braz.

Ceia de Natal

A FGV identificou ainda que os principais itens que compõem a ceia de Natal já começaram a subir de forma significativa em novembro para os consumidores de baixa renda. O chester teve alta de 9,20%, depois de subir 4,41% no mês anterior. O bacalhau aumentou 4,67%, ante alta de 2,84%. Nos últimos quatro meses, o produto ficou 16,63% mais caro.

O azeite, que teve queda de 0,73% em outubro, subiu 1,65% no mês passado. Já o vinho chegou 0,38% mais caro aos consumidores de baixa renda, depois de cair 0,41% em outubro.

 

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