Dinheiro
04/12/2008 - 16h49

Montadoras têm 300 mil veículos e R$ 12 bi parados nos pátios

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KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

As fabricantes de automóveis no país vivem, neste final de ano, uma das maiores quedas nas vendas, prejudicadas pela falta de crédito e aumento dos juros. Apesar da produção reduzida, para acompanhar a demanda desaquecida, as montadoras têm 305 mil veículos parados em seus pátios, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

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Considerando cálculo do mercado de que os veículos representam R$ 40 mil de capital de giro, em média, os pátios cheios representam ao menos R$ 12 bilhões parados. Isso sem contar com os custos de manutenção e as perdas com ausência de financiamentos.

Também em uma conta aproximada, um estoque como esse representa algo em torno de R$ 4 bilhões em impostos.

Mark Lennihan/AP
Montadoras registram mais de 300 mil veículos e R$ 12 bilhões parados nos pátios
Montadoras registram mais de 300 mil veículos e R$ 12 bilhões parados nos pátios

De acordo com o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, o estoque ao final de novembro representava 56 dias, sendo 25 na indústria e outros 31 nas concessionárias.

A última vez que o setor registrou estoque tão alto foi em setembro de 2001, quando bateu 57 dias. Em outubro deste ano, o estoque estava em 38 dias, sendo 13 na indústria e 25 nas concessionárias.

Além da queda de venda e produção, de 25% e 28,6%, respectivamente, o mês de novembro também registrou outros dados negativos: houve queda nas exportações de 7,8% e as indústrias registraram a primeira redução de postos de trabalho desde dezembro de 2006, com demissão de 480 funcionários.

"Ninguém levantou investimento de forma irresponsável. A freada foi muito forte e surpreendente", afirmou Schneider.

Embora o setor esperasse uma desaceleração neste segundo semestre, depois de fortes altas registradas desde meados de 2007, a crise no crédito acabou por impactar a indústria.

As férias coletivas e folgas anunciadas pelas montadoras para novembro e dezembro atingem pelo menos 47 mil funcionários em todo o Brasil.

O consultor André Beer, ex-presidente da Anfavea e especializado no setor automotivo, afirmou que não é possível traçar uma expectativa para o setor em menos de 30 a 60 dias. ele disse, no entanto, que 2009 "pode não ser tão sombrio" quando alguns analistas esperam.

Beer também disse que as quedas de produção e as férias coletivas anunciadas pelas empresas refletem mais um ajuste do que uma desaceleração. Ele disse acreditar que a indústria tem condições de se estabilizar se as vendas no mercado interno ficarem entre 180 e 200 mil unidades por mês.

Crédito

A queda na venda de veículos, que vinha puxando o crédito e a geração de empregos há mais de um ano, é uma dos principais preocupações do governo. A indústria automotiva sofre em todo o mundo com a crise financeira internacional.

Em outubro, a Anfavea (associação das montadoras) atribuiu a queda de veículos à falta de crédito e afirmou que em novembro já deveria ter início uma normalização.

O governo anunciou no início de novembro a liberação de R$ 4 bilhões do Banco do Brasil para os bancos das montadoras, para irrigar o crédito do setor.

Na mesma seguinte, a Nossa Caixa, por determinação do governo do Estado de São Paulo, também liberou R$ 4 bilhões com o mesmo objetivo.

Ano

Com as quedas consecutivas de outubro e novembro, a Anfavea revisou suas projeções de venda, produção e exportação para o ano.

As vendas internas devem encerrar o ano em 2,815 milhões de unidades, e não 3,060 milhões como previsto. Mesmo com a revisão, os licenciamentos ficarão 14,3% acima do registrado em 2007.

No caso da produção, a estimativa caiu de 3,425 milhões de veículos para 3,240 milhões, que ficará 8,8% acima de 2007.

As exportações, antes previstas para somarem US$ 14,5 bilhões, devem terminar 2008 em US$ 13,7 bilhões, alta de 1,5% sobre 2007.

Comentários dos leitores
ernani sefton campos (130) 03/11/2009 13h24
ernani sefton campos (130) 03/11/2009 13h24
Até poderá bater " recordes" de Vendas.Mas fica no ar, uma pergunta :
Que providencias vão tomar para "aquecer " o mercado de veículos semi-novos?
Revendas independentes, já estão entregando os terrenos e pavilhões ,alugados.Os preços dos veículos usados estão muito salgados.
Consultei um site da BV, ontem e veículos do ano de 2000 e 2001, estão custando o preço de carros basicos 2007/08. Pode isto ?
Será que a situação sem o desconto do IPI,vai favorecer os negocio dos USADOS?
Já é hora, de isto acontecer.Mas tem que rever preços,que são extorsivos, no momento.
sem opinião
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Cassio Tavares (513) 17/10/2009 14h09
Cassio Tavares (513) 17/10/2009 14h09
Eduardo Giorgini, se voce é de São Paulo , cobre aí do seu governador e do seu prefeito, porque os alunos das escolas públicas, que são estaduais e municipais deram um vexame no último teste, a nivel nacional, ficando colocados aí nos últimos lugares quando foram mostrar os seus conhecimentos com os alunos de outras unidades da federação. 2 opiniões
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Aristoteles Pedrosa (6) 16/10/2009 20h44
Aristoteles Pedrosa (6) 16/10/2009 20h44
Pior do que o absurdo dos preços dos carros fabricados no Brasil, é o elevado preço do transporte caletivo cobrado em n/ país. Talves seja um dos mais caros do planeta. No mundo civilizado ele é subsidiado, sem imposto ... e de boa qualidade.
O Brasil precisa parar c/ esse populismo barato e ter um projeto de nação. Caso contrário acabaremos igual a Argentina: de maior nação da região, depois do populismo peronista, para uma nação estraçalhada como é hoje. l
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