Dinheiro
04/12/2008 - 18h59

Lula diz que momento econômico atual não é para desespero

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

Atualizado às 19h31.

Diante do anúncio de demissões em grandes empresas, como a da Vale do Rio Doce, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é importante que não se entre em clima de desespero, visto que o país --na visão de dele-- está muito diferente, "no melhor momento econômico da história."

Lula afirmou ter certeza que o Brasil é o país mais preparado para enfrentar a crise entre os integrantes do G20 (grupo das principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo). Lula reafirmou que ainda o Brasil não vai quebrar diante da turbulência no mercado financeiro internacional.

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Em discurso descontraído, Lula criticou a falta de regulação no mercado financeiro americano, e comparou a crise financeira a uma "diarréia insuportável" e o mercado a "um adolescente, que se dizia soberano mas revelou-se dependente dos pais, no caso, o governo."

O presidente disse ainda que se sente como um Dom Quixote quando defende que o consumo deve continuar em alta e muitos especialistas criticam sua tese. Ele comparou as medidas do governo para que a economia não pare à de um médico que é consultado por um paciente.

"Imagine se um de vocês fosse médico e atendesse um paciente doente. O que você falaria para ele? Olha companheiro, você tem um problema, mas a medicina já avançou demais, a ciência já avançou demais, nós vamos dar tal remédio, você vai se recuperar? Ou você diria: Sifu? Vocês diriam isso para um paciente de vocês? Vocês não falariam", afirmou o presidente para a platéia presente no lançamento do Fundo Setorial do Audiovisual, no Rio.

Lula, que já comparou a crise a uma marola, disse que o atual cenário, possivelmente, seja pior do que o observado na crise de 1929. Ele ressaltou que a turbulência nos mercados surgiu no momento de maior respeitabilidade do Brasil no cenário internacional.

Ainda sobre o tamanho da crise, Lula lembrou que nas crises da Rússia, do México e dos países asiáticos foram injetados US$ 200 bilhões no mercado. Na crise atual, foram US$ 4 trilhões, segundo o presidente. Lula disse ainda que apesar do PIB mundial somar US$ 65 trilhões, o dinheiro que circulava no mercado chegava a ser dez vezes maior e sumiu, resultando na falta de crédito no mercado.

"Esse dinheiro que desapareceu, fico me perguntando se está todo nas Ilhas Cayman. É tanto dinheiro que se estivesse lá, ele tinha afundado. É tanto dinheiro que na minha cabeça, não cabe. Eu, talvez, não tenha todos os neurônios para compreender o que significa US$ 600 trilhões. Se fosse de real eu ainda sabia, mas de dólares, é tanta coisa que não consigo saber."

Comentários dos leitores
Cassio Tavares (667) 27/11/2009 08h43
Cassio Tavares (667) 27/11/2009 08h43
Uma nova revista está para ser lançada na imprensa brasileira com o nome parecido com uma que já circula. Ah, o nome da revista : IN-VEJA. sem opinião
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Rolando Frati (101) 27/11/2009 07h56
Rolando Frati (101) 27/11/2009 07h56
O Dinheiro Público está sendo desrespeitado, a viagem no Avião da Fab pelo Sr. Lulinha é exemplo disso, esperamos que seje enquadrado na Lei. Nós não elegemos lulinha para nenhum cargo público nesse País. 4 opiniões
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Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Marcelo, concordo também com vc. Mas qdo pensamos em paises ricos, nos vem à mente normalmente USA e Zona do Euro.
Veja o que aconteceu hj com Dubai. Há outros vários.
Também acho que a palavra "quebrar"é muito forte, e de fato não deve acontecer. Aliás quem alertou sobre isso hj foi a OMC.
Tudo isso reforça o que venho escrevendo por aqui há algum tempo...tem muita gente eufórica, achando que tá tudo índo bem, que 2010 vai ser uma beleza e ao meu ver não vai ser não. Esse estória de o Brasil se achar uma ilha de prosperidade enquanto o mundo ainda estremeçe é muita arrogancia e merece cuidados extremos.
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