Lula diz que momento econômico atual não é para desespero
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Atualizado às 19h31.
Diante do anúncio de demissões em grandes empresas, como a da Vale do Rio Doce, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é importante que não se entre em clima de desespero, visto que o país --na visão de dele-- está muito diferente, "no melhor momento econômico da história."
Lula afirmou ter certeza que o Brasil é o país mais preparado para enfrentar a crise entre os integrantes do G20 (grupo das principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo). Lula reafirmou que ainda o Brasil não vai quebrar diante da turbulência no mercado financeiro internacional.
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Em discurso descontraído, Lula criticou a falta de regulação no mercado financeiro americano, e comparou a crise financeira a uma "diarréia insuportável" e o mercado a "um adolescente, que se dizia soberano mas revelou-se dependente dos pais, no caso, o governo."
O presidente disse ainda que se sente como um Dom Quixote quando defende que o consumo deve continuar em alta e muitos especialistas criticam sua tese. Ele comparou as medidas do governo para que a economia não pare à de um médico que é consultado por um paciente.
"Imagine se um de vocês fosse médico e atendesse um paciente doente. O que você falaria para ele? Olha companheiro, você tem um problema, mas a medicina já avançou demais, a ciência já avançou demais, nós vamos dar tal remédio, você vai se recuperar? Ou você diria: Sifu? Vocês diriam isso para um paciente de vocês? Vocês não falariam", afirmou o presidente para a platéia presente no lançamento do Fundo Setorial do Audiovisual, no Rio.
Lula, que já comparou a crise a uma marola, disse que o atual cenário, possivelmente, seja pior do que o observado na crise de 1929. Ele ressaltou que a turbulência nos mercados surgiu no momento de maior respeitabilidade do Brasil no cenário internacional.
Ainda sobre o tamanho da crise, Lula lembrou que nas crises da Rússia, do México e dos países asiáticos foram injetados US$ 200 bilhões no mercado. Na crise atual, foram US$ 4 trilhões, segundo o presidente. Lula disse ainda que apesar do PIB mundial somar US$ 65 trilhões, o dinheiro que circulava no mercado chegava a ser dez vezes maior e sumiu, resultando na falta de crédito no mercado.
"Esse dinheiro que desapareceu, fico me perguntando se está todo nas Ilhas Cayman. É tanto dinheiro que se estivesse lá, ele tinha afundado. É tanto dinheiro que na minha cabeça, não cabe. Eu, talvez, não tenha todos os neurônios para compreender o que significa US$ 600 trilhões. Se fosse de real eu ainda sabia, mas de dólares, é tanta coisa que não consigo saber."
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-Roupas e calçados: O sujeito ganha mil e quinhentos reais, mas ele tem um tênis que custa seiscentos reais.
-Celular: A pessoa economiza até em sua alimentação, mas tem um smartfone.
-Carro: O sujeito se endivida por oito anos para comprar um carro (em 2007 o aumento de financiamentos de veículos aumentou 43,5% e desde então tem crescido a cada ano) e muitas vezes não tem dinheiro para mantê-lo ou para pagar pelo financiamento, o que causa o aumento do número de recuperações de veículos por financeiras (observado desde o ano passado).
Em suma, o jornalista fez uma afirmação ignorando que a compra de carros é impulsionada pela capacidade de endividamento, ignorando as centenas de milhares de demissões (comprovadas pela redução de captação de impostos), o aumento da inadimplência (cheque especial e financiamento de veículos são os lideres). A disseminação desse tipo de convicção cega e impede que a população exija retidão e resultados do governo federal. É lamentável que um jornalista use as atribuições de sua função para disseminar sua opinião ignorando os fatos.
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Um belo exemplo de, liberdade enquanto conseguiu esconder e punição quando foi descoberto.
Acho que precisamos, aqui no Brasil, exercitar mais os atos de punição.
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"RIO DE JANEIRO (Reuters) - A produção da indústria brasileira acumula queda de 5,1% nos últimos doze meses encerrados em maio, o pior resultado desde o início da série histórica, em 1991, mostraram dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)."
Um dado interessante é que, a redução do IPI como forma de incentivar o comércio e fazer o dinheiro continuar girando teve uma variável inesperada, o consumidor não desfrutou deste desconto integralmente (em média de 5%). .Em alguns casos o desconto do consumidor foi de apenas 2% , o resto foi agregado ao lucro do comerciante, distribuidor ou produtor. Esse percentual é apenas metade do IPCA do primeiro trimestre, ou seja não cobriu nem a inflação durante a metade do período da crise..
Ai fica a pergunta, esse desconto de 2% (que não consegue motivar consumidores que foram ás compras), o que levou as pessoas a comprarem? Conhecendo o brasileiro, sabemos que ele é um comprador emocional, quase compulsivo.
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