Governo e democratas fecham acordo sobre resgate a montadoras nos EUA
da Folha Online
Negociadores da Casa Branca e congressistas democratas chegaram a um acordo na noite desta terça-feira (9) para aprovar o plano de resgate de US$ 15 bilhões para evitar quebras no setor automobilístico devido à crise financeira. Assessores do governo e do Partido Democrata declararam que ainda há alguns pontos em aberto, mas não definiram quais seriam os impasses.
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Os pontos principais do plano de resgate foram aceitos e os políticos esperam votá-lo ainda nesta quarta-feira. Com isso, as fabricantes General Motors e Chrysler devem receber em poucos dias empréstimos do governo em troca da participação nas empresas. A Ford informou dispor ainda de dinheiro em caixa; a empresa pediu uma linha de crédito de US$ 9 bilhões como garantia em caso de piora do quadro em que a economia se encontra.
Os congressistas e a Casa Branca liberaram somente parte dos US$ 34 bilhões pedidos pelas companhias para reestruturação.
Entre os principais pontos que ainda faltam ser definidos estão a criação de uma autoridade responsável por controlar os fundos e acompanhar a reforma do setor e a garantia de viabilidade das empresas para o acesso aos recursos.
O senador democrata por Michigan, Carl Levin, confirmou que o Congresso visa à criação de um cargo equivalente ao de um "czar do automóvel", que teria a função de vigiar a reestruturação do setor de uma posição independente. O cargo estaria subordinado ao departamento de Comércio, deverá assegurar que "as condições de uso do dinheiro sejam respeitadas, que tenha uma autêntica vigilância e que de tudo isso sairá uma indústria mais reduzida e mais verde", disse.
Além disso, a Casa Branca e os republicanos querem que só recebam ajuda as empresas que comprovarem viabilidade a longo prazo. GM, Ford e Chrysler terão até 31 de março de 2009 para provar que conseguirão se manter em meio às quedas nas vendas do setor e à derrubada da produção.
Bronca de Obama
As montadoras se comprometeram a promover reestruturações para receber os aportes bilionários. Mesmo assim, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou duramente as administrações das empresas nesta semana.
"Devemos ter uma indústria automotiva que compreenda que não pode continuar trabalhando da mesma maneira", afirmou Obama durante uma coletiva de imprensa em Chicago. "Se os diretores atualmente em função não entenderem a emergência da situação e não quiserem fazer escolhas difíceis e se adaptar às novas circunstâncias, então deverão se afastar".
Para ele, quebrar não é uma opção. "Eu não acho que é uma opção simplesmente deixar que entre em colapso", disse. "O que nós temos que fazer é dar ao setor assistência, mas essa assistência é condicionada a significativos ajustes. Eles terão que reestruturar (o setor)."
Aprovação
Para as três fabricantes, que estão mergulhadas em uma grave crise de liquidez (dinheiro) e à beira da falência, a aprovação da ajuda gera tensão e ansiedade. Para os congressistas, que ainda precisam do apoio do Partido Republicano para aprovarem o projeto, acreditam que a medida deve entrar em votação ainda nesta quarta-feira.
Na última quinta-feira (4), os executivos das empresas apresentaram ao Congresso planos de reestruturação para suas companhias, duas semanas depois do primeiro apelo por verbas federais, que terminou em fracasso e humilhação perante os líderes do Congresso, que os mandaram embora com a missão de repensar seus planos de recuperação.
A administração Bush defende que o dinheiro para um eventual pacote destinado à indústria automobilística nacional não deve sair dos US$ 25 bilhões já aprovados pelo Congresso. Esse dinheiro, que a princípio foi liberado para ajudar os fabricantes a se adaptarem às novas exigências do mercado, depende da viabilidade das empresas, e permanece, por enquanto, inacessível.
A votação promete ser difícil, já que a maioria democrata depende dos votos dos republicanos. O líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, afirmou que a proposta inicial é um fracasso porque "não dá garantias aos contribuintes, que, com razão, esperam que sejamos bons guardiões do dinheiro que ganharam com o suor de seu trabalho e que não pediremos a eles que desembolsem bilhões de dólares a mais, a curto ou longo prazo".
"Esta proposta não vai muito longe. Não exige prestação de contas nem dos diretores nem do sindicato", avaliou.
Com agências internacionais
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