Casa Branca pode usar parte do pacote de US$ 700 bi para montadoras
da Folha Online
A Casa Branca informou nesta sexta-feira que considera utilizar dinheiro do Tarp (Programa para Alívio de Ativos Problemáticos, na sigla em inglês), o pacote de US$ 700 bilhões aprovado em outubro e destinado inicialmente a resgatar empresas do setor financeiro com problemas ligados a papéis "podres" (com alto risco de calote), para evitar quebras no setor automobilístico.
Segundo o governo americano, um colapso na indústria automobilística dos EUA teria um impacto severo sobre a economia do país --que já se encontra em recessão desde o fim de 2007.
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"Dada a condição atual de fragilidade da economia americana, vamos considerar outras opções se necessário --incluindo o uso do programa Tarp-- para evitar o colapso das montadoras com problemas", disse em um comunicado a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino. "Um colapso desse setor teria um impacto severo sobre nossa economia e seria uma irresponsabilidade enfraquecer e desestabilizar ainda mais nossa economia neste momento."
Ontem, o plano de resgate, de US$ 14 bilhões, que vinha sendo negociado há dias para salvar principalmente a General Motors e a Chrysler, foi rejeitado no Senado dos EUA. A Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) havia aprovado nesta semana a medida, mas os senadores, em particular os republicanos, se opuseram à iniciativa.
Segundo o republicano George Voinovich, os representantes do Sindicato de Trabalhadores da Indústria Automotiva estavam dispostos a um corte salarial, mas não antes de 2011. Os democratas têm apenas 50 cadeiras no Senado, e precisavam de 60 votos para frear a minoria republicana.
O senador republicano Bob Corker havia defendido um plano alternativo para, entre outras coisas, obrigar as montadoras a reduzir suas dívidas e se declarar em quebra. "Minha proposta é muito singela: encontremos o dinheiro que as empresas pedem, mas exijamos em troca condições", disse Corker --em cujo Estado há uma fábrica da General Motors. Segundo ele, os problemas das empresas estão intimamente vinculados com 'sua estrutura de capitais' e seus custos trabalhistas.
O líder da minoria republicana, Mitch McConnell, também havia anunciado que votaria contra, com base em um argumento semelhante ao de parte dos republicanos: que o plano não oferecia garantias para a viabilidade a longo prazo da GM, da Ford e da Chrysler.
Pelo projeto, as montadoras deveriam ter disponíveis até US$ 14 bilhões para promover reestruturações. A medida não era nem metade dos US$ 34 bilhões pedidos pelas companhias anteriormente.
O projeto aprovado na Câmara concederia o montante em empréstimos ou linhas de crédito --vindos de fundos do Departamento de Energia para a fabricação de automóveis ecológicos-- para que as empresas continuassem com suas operações e evitassem a possível demissão de até 2,5 milhões de funcionários.
Sem o empréstimo, o consenso é de que o colapso das companhias agravaria a crise econômica com a eliminação de milhões de empregos. A GM é a que mais precisava da ajuda, enquanto a Ford disse que só usaria os recursos se sua situação se agravasse.
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