Canadá anuncia ajuda de US$ 2,64 bilhões a montadoras dos EUA
da Efe
da Folha Online
O governo do Canadá anunciou nesta sexta-feira (12) que entregará um pacote de ajuda de 3,3 bilhões de dólares canadenses (US$ 2,64 bilhões) à General Motors (GM), Ford e Chrysler.
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O anúncio foi dado pelo ministro da Indústria do Canadá, Tony Clément, que explicou que a ajuda será proporcionada tanto pelo governo federal canadense como por autoridades de Ontário --província onde se concentra toda a indústria automobilística do país.
O ministro também disse que as ajudas estão condicionadas a que os Estados Unidos aprovem seu próprio pacote de ajudas.
Clément disse que se procura "ser parte da solução", e acrescentou que esta "será proporcional à produção que se efetua no Canadá", cerca de 20% dos US$ 14 bilhões aprovados pela Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) dos EUA nesta semana --mas que foi rejeitado na quinta-feira (11) pelo Senado.
Clément acrescentou que a medida do governo canadense era necessária para preservar grande parte dos 30 mil empregos diretos que General Motors, Ford e Chrysler mantêm em Ontário.
O projeto aprovado na Câmara abriria caminho para empréstimos ou linhas de crédito que permitiriam às empresas automobilísticas que continuassem com suas operações --e, em particular, evitem demitir cerca de 2,5 milhões de funcionários. A rejeição do pacote fecha esse caminho de salvação para as montadoras e intensifica os temores de que haja quebras no setor automobilístico.
A GM é a que mais precisava da ajuda, enquanto a Ford disse que só usaria os recursos se sua situação se agravasse.
Ontem, a Casa Branca informou que avalia medidas alternativas para salvar as montadoras --inclusive destinar recursos do plano Tarp (Programa para Alívio de Ativos Problemáticos, na sigla em inglês), o pacote de US$ 700 bilhões aprovado em outubro e destinado inicialmente a resgatar empresas do setor bancário com problemas ligados a papéis "podres" (com alto risco de calote), para evitar quebras no setor automobilístico.
O Departamento do Tesouro também tomou iniciativa nessa questão e informou estar preparado para resgatar a indústria automobilística e evitar quebras: o departamento intervirá com empréstimos destinados a General Motors, Ford e Chrysler até que o Congresso tenha tempo para considerar um plano de socorro de longo prazo, no próximo ano.
Segundo o governo americano, um colapso na indústria automobilística dos EUA teria um impacto severo sobre a economia do país --que já se encontra em recessão desde o fim de 2007.
O presidente do UAW (United Auto Workers), o sindicato dos trabalhadores na indústria automobilística dos EUA, Ron Gettelfinger, disse estar feliz por ver que a Casa Branca considera utilizar recursos do pacote de US$ 700 bilhões, aprovado em outubro para salvar o setor financeiro, para ajudar as montadoras. "Acho que é uma ótima notícia que tenhamos visto a resposta da Casa Branca e do [Departamento do] Tesouro, disse Gettelfinger.
Pacote
O secretário do Tesouro, Henry Paulson, anunciou no mês passado que o pacote iria ajudar empresas fora do setor bancário, como companhias de cartões de crédito e de financiamento automobilístico e estudantil --mudando, assim, a finalidade original da medida.
Segundo ele, o governo esperava à época da elaboração do plano que isso fosse bastar para restaurar a circulação de crédito, mas que, enquanto o Congresso avaliava a medida, as condições do mercado pioraram consideravelmente.
"Ficou claro para mim que à época em que o pacote foi assinado (...) precisávamos agir rapidamente e com vigor, e que a compra de títulos problemáticos --nosso foco inicial-- levaria tempo para ser implementada e não seria suficiente dada a gravidade do problema", afirmou Paulson à época.
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