Dinheiro
13/12/2008 - 12h32

Japão, China e Coréia do Sul criam frente asiática contra crise econômica

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da Efe, em Tóquio
da Folha Online

Japão, China e Coréia do Sul criaram neste sábado uma frente asiática, com o desejo de se transformar no "centro do crescimento econômico mundial", para lutar contra a crise e devolver a estabilidade ao sistema financeiro global.

Para isso, os líderes das três economias mais importantes da Ásia --os primeiros-ministros do Japão, Taro Aso, e da China, Wen Jiabao, e o presidente da Coréia do Sul, Lee Myung-bak--, reunidos em em Fukuoka (sul do Japão), se comprometeram a lutar juntos contra a crise econômica e a mudança climática, além de cooperar no processo de desnuclearização da Coréia do Norte, entre outras questões, segundo um comunicado.

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Essa foi a primeira vez na história que os líderes das três potências se reúnem em uma cúpula independente que, a partir de agora, será organizada de forma periódica entre Japão, China e Coréia do Sul.

"A cooperação entre nossos três países para superar dificuldades terá um significado real, visto o forte impacto que a crise financeira tem exercido sobre as economias no mundo todo", disse o primeiro-ministro chinês.

Os três líderes pediram a criação de um fundo regional de combate à crise, para ajudar a conter o avanço da crise, e disseram ainda que não serão criadas novas barreiras comerciais nos próximos 12 meses, além de se comprometerem a injetar mais capital no Banco de Desenvolvimento da Ásia. A idéia do fundo, que deverá contar com US$ 80 bilhões até junho de 2009, foi lançada na reunião do Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático, na sigla em inglês), em outubro.

Segundo o acordo, o Banco de Desenvolvimento da Ásia (ADB, em inglês) "terá um papel importante ao proporcionar ajuda aos países asiáticos em desenvolvimento mais afetados pelas turbulências, especialmente em matéria de desenvolvimento de infra-estrutura e financiamento comercial".

A Coréia do Sul está entre os países que mais sofreram com o impacto da crise financeira global. Ontem, o banco central do país informou que a economia sul-coreana deve crescer apenas 2% em 2009 --o que será, se confirmado, o resultado mais baixo desde 1998. Neste ano, a projeção da autoridade monetária sul-coreana é de um crescimento de 3,9%.

Para a China, a estimativa de crescimento para 2009 é de 7,5%, uma desaceleração considerável se comparada com os 11,9% do ano passado, segundo o Banco Mundial. Neste ano a economia chinesa já vinha mostrando sinais de desaceleração: no primeiro trimestre o crescimento foi de 10,6%; no segundo, de 10,4%; e, no terceiro, de 9,9%.

Já o Japão viu uma contração de 1,8% em termos reais em sua economia entre julho e setembro, segundo dados do governo --que inicialmente reportou uma queda de 0,4%. Antes da revisão em baixa, o Japão já tinha entrado oficialmente em recessão após a contração do PIB (Produto Interno Bruto) por dois trimestres consecutivos --jogando, assim, o país em uma recessão.

Além de seus compromissos econômicos, os três gigantes asiáticos decidiram compartilhar a responsabilidade de criar um "futuro pacífico, próspero e sustentável para a região (asiática) e a comunidade internacional".

Segundo comunicado oficial, a próxima vez que os três países estarão em uma cúpula independente será no ano que vem, na China, e um ano depois farão o mesmo na Coréia do Sul.

Rivalidades históricas

Após um passado de inimizades históricas e guerras, Japão, China e Coréia do Sul se comprometeram a que sua recém-reforçada sociedade entre as três partes seja baseada em princípios de "transparência, confiança mútua, interesses comuns e respeito pela diversidade de suas culturas".

O acordo não faz referência a pontos de atrito concretos entre os três países asiáticos, que nem sempre estiveram tão unidos e que este ano viveram vários momentos pontuais de escalada de tensão --nesta mesma semana, dois navios de inspeção chineses entraram em águas próximas às ilhas Senkaku (sul do Japão), administradas pelo Japão, segundo os serviços japoneses de guarda costeira.

Aso e Jiabao falaram sobre o incidente em um encontro hoje, quando, apesar de não coincidirem em suas opiniões sobre a soberania do território, decidiram solucionar a questão sem prejudicar as relações de amizade.

A melhora das relações entre os dois países foi confirmada em maio com a visita ao Japão do presidente da China, Hu Jintao --a primeira de um presidente chinês em 10 anos.

A constante tensão por causa de desavenças históricas, sociais e políticas, não impediram, no entanto, a força dos laços econômicos e comerciais entre os dois países. A China é o principal parceiro comercial do Japão.

Com a Coréia do Sul, a relação do Japão também foi prejudicada por disputas territoriais e pelo fantasma da invasão japonesa da península coreana de 1910 até o final da Segunda Guerra Mundial.

Há vários meses, as relações coreano-japonesas esfriaram, porque os japoneses reivindicaram em um texto oficial a soberania das ilhas conhecidas como Dokdo, na Coréia do Sul, e Takeshima, no Japão, que atualmente são administradas pelo governo sul-coreano.

 

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