Brasil tentará conseguir fim da dupla cobrança de tarifas na Cúpula do Mercosul
da Agência Brasil, na Costa do Sauípe (BA)
Às vésperas de realização da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, o governo brasileiro concentra esforços para tentar cumprir sua promessa e concluir, durante a presidência temporária do Brasil, uma das mais complicadas negociações rumo à desejada união aduaneira: o fim da dupla cobrança da TEC (Tarifa Externa Comum).
Se tudo correr como previsto, a eliminação da dupla cobrança --prevista no tratado de criação do Mercosul-- será anunciada nos próximos dias e deve começar a ser implementada em janeiro de 2009. O prazo foi estipulado pelo Conselho do Mercado Comum, em 2004.
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Hoje, um produto extra-zona que ingressa no Mercosul pelo Uruguai e depois é reexportado para o Brasil, por exemplo, paga imposto de importação duas vezes e cada país fica com o imposto arrecadado. "Não é economicamente viável um produto entrar no bloco e circular", resumiu o diretor do Departamento do Mercosul do Itamaraty, ministro Bruno Bath. "Ninguém faz isso", revela. Com o fim da dupla cobrança, o produto que ingressar em um dos quatro países passará a ser originário do Mercosul e poderá circular entre os países do bloco sem pagar nova TEC.
A eliminação da dupla cobrança também é considerada fundamental para maiores avanços em projetos de integração produtiva entre empresas brasileiras, argentinas, uruguaias e paraguaias. Mas não é algo simples. Depende da interconexão entre as aduanas, da unificação das regras aduaneiras e, o mais delicado, da criação de um mecanismo de distribuição dos tributos arrecadados.
As negociações acontecem desde 2004 e, no último semestre, se concentraram na fórmula de redistribuição da renda aduaneira. A situação mais difícil é a do Paraguai, que depende dessa renda.
"O Paraguai é o país que tem a situação mais sensível por ser país mediterrâneo e por receber a maioria das importações via fronteiras terrestres. É a posição que exige maior atenção. A negociação está girando em torno de atender a especificidades do Paraguai, o que é perfeitamente legítimo", afirma o diplomata.
A fórmula inicial previa o estabelecimento de um percentual sobre o total da renda aduaneira que cada país obtém com a entrada de produtos que têm a TEC. Tais recursos seriam direcionados para um fundo comum, redistribuído de forma a tentar reduzir as desigualdades entre os sócios. A insatisfação paraguaia levou a uma nova fórmula, na qual apenas parte dos recursos iria para um fundo. Outra parte voltaria diretamente para os cofres dos sócios menores.
O percentual e o universo de produtos a ser alcançado pelo fim da dupla cobrança ainda estão sendo discutidos. Já foi definido, no entanto, que a eliminação se dará em quatro etapas, por nível tarifário. Ainda não há prazos determinados.
Com relação à interconexão entre aduanas, já está praticamente concluída, desde o semestre passado. "Está sendo necessário dar um salto qualitativo em nossas aduanas. E o fato é que temos um sistema aduaneiro bem mais desenvolvido que os outros países", disse o diplomata. Segundo ele, faltam alguns aperfeiçoamentos na parte tecnológica, como a conclusão da implementação de um sistema de informática mais atualizado, para processamento em tempo real dos dados.
Já o Código Aduaneiro Comum, que deveria ter sido aprovado no primeiro semestre, mas não foi, devido à crise desencadeada na Argentina a partir da sobretaxação das exportações de grãos, também está em fase de conclusão. Mas, segundo Bruno Bath, não é pré-requisito para o fim da bitributação. Isso porque o Código não conterá regras sobre o comércio intra-zona. Será um marco legal que harmonizará os procedimentos aduaneiros de comércio do bloco com terceiros países.
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