Dinheiro
16/12/2008 - 04h32

EUA liquidam fundo de ex-presidente da Nasdaq após fraude

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da Folha Online

As autoridades americanas anunciaram a liqüidação da administradora de fundos do ex-presidente da Bolsa Nasdaq Bernard Madoff, detido na semana passada por fraude. Segundo autoridades financeiras, investidores e empresas de vários países podem ser afetadas pelo esquema, cujos prejuízos são estimados em US$ 50 bilhões.

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Detido quinta-feira e depois liberado com pagamento de fiança, Madoff, 70, é acusado de ter montado um gigantesco esquema de pirâmide, pagando juros a seus antigos clientes graças ao capital injetado pelos novos clientes.

Ex-presidente do conselho de administração do Nasdaq, Madoff era tão respeitado em Wall Street que a SEC (Securities and Exchange Commission, a autoridade de regulação dos mercados americano) o havia nomeado em 2000 membro do conselho de consultores e solicitava freqüentemente seus conselhos, segundo o "Wall Street Journal".

O SIPC (Securities Investor Protection Corporation), o organismo encarregado de proteger os interesses dos investidores, destacou que o volume da fraude e a situação das contas da empresa de Madoff tornam o caso particularmente difícil.

"É pouco provável que o SIPC e o administrador (da liqüidação) possam transferir algum crédito para uma agência de Bolsa solvente", disse o presidente do organismo, Stephen Harbeck. A entidade advertiu nesta segunda-feira os investidores para que não tenham ilusões quanto a recuperar seu dinheiro.

Bancos

Os grandes bancos internacionais, tanto na Ásia como na Europa, avaliam em centenas de milhões de dólares as perdas potenciais ligadas à suposta fraude do gerente dos fundos americano Bernard Madoff, calculados em US$ 50 bilhões.

Um atrás dos outros, os grandes nomes das finanças internacionais --como o banco Nomura no Japão, o francês BNP Paribas, e o HSBC e o RBS (Royal Bank of Scotland) do Reino Unido-- anunciaram seu nível de exposição aos produtos da sociedade de investimento de Madoff, corretor de Wall Street até então muito respeitado, mas agora acusado de uma gigantesca fraude utilizando o famoso "esquema da pirâmide".

O espanhol Santander, segundo maior banco em capitalização bancária da Europa, reconheceu na noite de domingo que os clientes de seu fundo especulativo Optimal estão expostos a perda de cerca de 2,33 bilhões de euros.

O segundo banco da Espanha, o BBVA, admitiu, por sua vez, uma perda líquida potencial máxima de 300 milhões de euros, mas destacou que jamais comercializou produtos do fundo especulativo de Madoff junto a seus clientes espanhóis.

O britânico HSBC, número três mundial do setor em capitalização financeira, confirmou que pode ter sofrido uma perda de US$ 1 bilhão, enquanto o RBS (Royal Bank of Scotland), do qual o governo britânico possui 57,9% das ações, admitiu uma perda potencial de 400 milhões de libras (aproximadamente 460 milhões de euros).

Na França, o Natixis, filial da Caisse d'Epargne e do Banque Populaire, pode perder até 450 milhões de euros, enquanto a seguradora francesa Axa avalia uma exposição nítida de 100 milhões de euros. O BNP Paribas anunciou perdas potenciais de 350 milhões de euros.

Os suíços UBS e Credit Suisse afirmaram que "não estão expostos materialmente à fraude", enquanto o primeiro banco italiano, o UniCredit, indicou estar ameaçado de perder aproximadamente 75 milhões de euros.

No Japão, o Nomura Holdings reconheceu que pode ter perda de 27,5 bilhões de ienes (225 milhões de euros), mas considerou o impacto "relativamente limitado", considerando as somas geradas.

 

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