Banco Goldman Sachs reporta primeiro prejuízo em quase dez anos
da Folha Online
Atualizado às 13h23.
O banco norte-americano Goldman Sachs, um dos maiores dos Estados Unidos, informou nesta terça-feira o seu primeiro prejuízo trimestral desde quando lançou ações em Bolsa de Valores, em 1999. Afetada pela crise dos créditos "subprime", a instituição financeira reportou prejuízo líquido de US$ 2,12 bilhões no quarto trimestre do exercício fiscal de 2008 (encerrado no final de novembro).
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A perda por ação atingiu US$ 4,97, muito acima do previsto por analistas, que estimam prejuízo de US$ 3,50 por ação para o período.
O resultado surpreendeu os analistas já que, até o início de 2008, o banco havia se mantido relativamente a salvo da crise, que devastou o sistema bancário americano. No ano, a instituição ainda acumula ganhos de US$ 2,32 bilhões, o que já representa um decréscimo de 80% sobre o lucro do ano passado.
"Nossos resultados do quarto trimestre refletem as condições extremamente difíceis nos quais temos de operar, incluindo um forte declínio do valor de praticamente de todos os tipos de ativos. Ainda que o nosso resultado trimestral obviamente não tenha respondido ao que esperávamos, o Goldman Sachs conseguir ter lucro mesmo nos anos mais difíceis de nossa profissão", disse presidente Lloyd Blankfein, no comunicado oficial do grupo financeiro.
Efeitos da crise
O Goldman Sachs não chegou a passar incólume pela crise: em setembro deste ano, o Federal Reserve (banco central dos EUA) autorizou a instituição financeira, um dos maiores bancos de investimentos dos EUA, a se tornar um banco comercial, habilitada a captar depósitos, portanto, em uma saída rápida de superar a crise financeira.
O banco foi, no entanto, uma das instituições financeiras que melhor passaram pela crise, que provocou a concordata do Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch e do Bears Stearns bem como a falência do Washington Mutual, somente para citar alguns dos casos mais famosos.
E como outras instituições financeiras, o Goldman também recebeu uma injeção de dinheiro público para continuar operando: foi um dos primeiros bancos a receber parte dos recursos provenientes do pacote de US$ 700 bilhões já aprovado pelo Congresso americano. O banco também recebeu um aporte de capital da ordem de US$ 5 bilhões do mega-investidor Warren Buffett.
Mas nem o Goldman Sachs conseguiu fugir dos efeitos da pior crise americana em 80 anos: a receita das operações de corretagem e do setor de gestão de investimentos caíram 73% e 31%, respectivamente, na comparação com o ano passado. E a empresa cortou 30% de seus gastos operacionais.
A companhia anunciou sua decisão de modificar o exercício fiscal, encerrado em novembro, para coincida com o ano calendário. O banco também informou que vai procurar no ano que elevar "de forma substantiva" seus depósitos bancários, que hoje somam US$ 150 bilhões.
Com France Presse e Associated Press
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